O Largo da Palma (Toque 5.6)

OS ENFORCADOS ( p. 83 – 97)

O livro do baiano Adonias Filho (1915-1990) traz seis curtas novelas em suas 112 páginas, ambientada no Largo da Palma, na cidade de Salvador/ Bahia. E assim, este cenário é palco das cenas de amor e de dor vivenciadas pelos protagonistas,  pessoas simples, anônimas aos olhos da sociedade, mas, através das produções desse escritor, elas ganham uma notoriedade indiscutível, mesmo vivendo à margem.

A quinta novela do livro O Largo da Palma “Os enforcados” traz como contexto histórico o final do século XVIII, mais precisamente na conhecida Guerra dos Alfaiates ou Conjuração Baiana, na qual as classes populares clamavam por um rompimento com a Coroa Portuguesa, após a mudança da sede do governo para o Rio de Janeiro.  Mas, antes do movimento ganhar fôlego  e ter mais abraços da elite, apenas os líderes pobres e negros foram presos e enforcados para servirem de exemplos e intimidar a população.

Diante do contexto descrito, a novela de Adonias Filho se passa justamente em um único dia que marcou a cidade de Salvador, o dia em que ocorreu o enforcamento  dos condenados Manuel, Lucas, Luís e João. Mais uma vez, o escritor usa uma personagem que vive às margens para protagonizar a narrativa. Nesse caso, foi um cego que “vivia em molambos, que pedia esmolas toda manhã”( p. 85)  “Ceguinho da Palma” como era conhecido vivia numa estrebaria abandonada, dividindo o espaço com índios, negros libertos, ladrões e outros mendigos.

Ceguinho da Palma percebe um silêncio fora do normal no Largo da Palma naquela manhã, denunciando algo que iria acontecer. As suspeitas se confirmaram ao perceber poucas pessoas na missa,  e todos deram esmolas apressados. E através do seu amigo João-o-Manco, ele descobre que o Largo estava vazio porque as pessoas estavam se preparando para assistirem o enforcamento dos condenados, ou seja, dois soldados rasos e dois alfaiates mestiços.

Ceguinho da Palma estava esperando o padre Gomes terminar a missa para perguntar o porquê do enforcamento, mas até o padre saiu rapidamente rumo a Piedade, e Ceguinho da Palma não teve tempo para o seu interrogatório. Triste, ele percebe que “ninguém, ninguém mesmo, deixaria  de ver o grande espetáculo” ( p. 89)

Sem alternativa Ceguinho vai  até o bar de seu amigo Valentim, mas o amigo informa que também iria assistir “o espetáculo medonho”, fecha o comércio e segura no braço de Ceguinho, conduzindo-o também até o local do enforcamento.  No entanto, sem deixar de descrever o que via, em voz baixa: “quatro homens, um quase menino, todos mulatos”. ( p. 93) E cada vez mais Ceguinho da Palma ficava horrorizado com a situação daqueles “pobres  desgraçados” diante da narrativa de Valentim.

Há momentos que o cego não se controla e exclama: “- Exemplo de merda!” ao saber que só haviam pessoas pobres e negras condenadas ao enforcamento para se fazer respeitar o El  Rei. Enquanto seu amigo Valentim continua narrando toda a cena, como esta:

“- Manuel é o primeiro e tem o laço no pescoço. Pronto, pronto! O corpo e a corda. Manuel está morto. Deus louvado.” ( p. 95)

Após os quatro enforcamentos, Valentim sai rapidamente tão abalado da Piedade que nem se despede de Ceguinho da Palma. E Ceguinho da Palma retorna para o seu ponto na porta da Igreja  Santa da Palma, e pela primeira vez desde que havia ficado cego,  ele agradece a  Santa da Palma pela sua cegueira, pois assim foi poupado de  assistir as cenas de horrores há pouco ocorridas.

Toque Poético

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O Largo da Palma ( Toque 4.6)

UM CORPO SEM NOME ( p. 71 –82)

 

O livro do baiano Adonias Filho (1915-1990) traz seis curtas novelas em suas 112 páginas, ambientada no Largo da Palma, na cidade de Salvador/ Bahia. E assim, este cenário é palco das cenas de amor e de dor vivenciadas pelos protagonistas,  pessoas simples, anônimas aos olhos da sociedade, mas, através das produções desse escritor, elas ganham uma notoriedade indiscutível, mesmo vivendo à margem.

Nesta quarta novela como o próprio título diz, a protagonista é uma pessoa qualquer, “sem nome”, apenas um corpo de mulher que aparece na porta da igreja da Palma e modifica a rotina daquele dia no Largo da Palma.  O personagem-narrador também não se identifica, apenas alguém que nota uma mulher que surge cambaleante, como se tivesse bêbada e cai perto das escadarias da igreja.  Uma multidão se forma, mas logo percebe que ela estava morta.  E de repente o Largo da Palma fica cheio de pessoas que saíram da igreja para olhar o corpo.

arte de Andrew Young

A polícia não conseguiu localizar familiares, por não ter identificação na bolsa, e a perícia apontou o uso de drogas como causador da morte.  No entanto, o personagem-narrador  rememora uma cena quando estava iniciando a vida sexual num bordel que havia uma mulher como aquela que estava ali caída, e a dona do bordel estava a expulsando, por não ter mais nenhum atrativo e nem render lucros para a casa. E num gesto de desprezo a dona do bordel ridiculariza a prostituta e questiona quem a queria uma mulher daquela, e, para assombro de todos, o jovem que estava indo pela primeira vez, disse que ficaria com aquela mulher.

Ainda mergulhado em suas reflexões o narrador-personagem volta a olhar para a  morta e imaginar o que havia passado para a vida ser interrompido daquela forma.  Como ninguém foi  até o cemitério ou numa delegacia registrar o desaparecimento de alguém, a mulher foi enterrada como a “Morta do Largo da Palma”. No entanto, o personagem-narrador chega a conclusão:

“Ela não morreu no Largo, já estava morta… A morte não a matou porque morreu fora do corpo, por isso não morreu no Largo da Palma” ( p. 82)

Toque Poético

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O Largo da Palma ( Toque 3.6)

UM AVÔ MUITO VELHO ( p. 49 -69)

O livro do baiano Adonias Filho (1915-1990) traz seis novelas em suas 112 páginas, ambientada no Largo da Palma, na cidade de Salvador/ Bahia. E assim, este cenário é palco das cenas de amor e de dor vivenciadas pelos protagonistas,  pessoas simples, anônimas aos olhos da sociedade, mas, através das produções desse escritor, elas ganham uma notoriedade indiscutível, mesmo vivendo à margem.

A terceira novela trata-se de “ Um avô muito  velho” e como o título já diz, o protagonista é um velho avô. Seu nome é Loio, pai de Maria Eponina.  O velho Loio era negro e morava  num quartinho separado da casa da sua filha.  Na verdade ele cedera a sua casa para a filha quando ela se casara como Chico Timóteo, um ex-empregado do comércio que velho Loio tinha. Para não querer atrapalhar a rotina do casal, que logo veio a neta Pintinha, o velho Loio achou por bem ocupar um quartinho nos fundos da casa.

Diariamente Loio levava sua neta à escola e passava pelo Largo da Palma.  Com o tempo a neta foi crescendo e o avô não precisava mais levá-la, pois as próprias colegas passavam para irem juntas.  Mesmo assim, a amizade entre avô e neta era muito forte. Quando um adoecia o outro não largava do pé. Conforme o texto: “ Ele, o velho negro Loio, pagava na mesma moeda”. (p.53) Zelava de Pintinha de tal forma que se ela adoecesse, ele nem no Largo da Palma  ia enquanto ela  estivesse doente.

No entanto algo terrível acontecera na vida  do velho Loio que ele nunca mais foi o mesmo,  “trancou-se em si mesmo”, apenas esperando a morte chegar. O que fez Loio, um grande sanfoneiro, agir daquela forma?  Por que o velho Loio andava tão triste e perdera a vontade de viver?

E num momento de reflexão, o velho pensa nos acontecimentos passados, lembra-se de uma namorada de nome Aparecida, esta gostava de ler cartas, e uma vez dissera a Loio que ele teria uma morte nas costas.  Ele não levou a sério, foi abandonado por Aparecida que pouco tempo depois, aparecera morta a facadas. E as suspeitas caíram sobre Loio, o namorado traído,  mas por falta de provas, nada pode fazer.

E o velho Loio rememora fatos ocorridos com sua neta Pintinha… o crescimento, a formatura  e o primeiro emprego em Amaralina, pois como professora iniciante não encontrou uma escola mais perto para ensinar.  E revive a dor da família quando fora avisada que Pintinha estava  em um leito de hospital, pois havia sido assaltada,  agredida física e sexualmente.

Como o estado de saúde dela era irreversível, após algum tempo a família a trouxe para casa, e os pais viviam chorando pelos cantos às escondidas com a dor que a filha sentia. “Depois de um mês ela voltou, muito mal. Não conhecia ninguém.” O velho Loio não aguentava ver sua neta tão querida sofrer. Foi até um armazém comprou  veneno e misturou na água da neta, após fazê-la beber, voltou para a sala, esperando o resultado.  Sua filha foi até o quarto de Pintinha, Maria Eponina saiu indiferente a tudo, sem lágrimas, sem desespero…

“_ Traga uma vela, pai – ela disse  –  Pintinha acaba de morrer.” ( p. 69)

 

Referência

FILHO, Adonias. O largo da Palma: novelas, Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.

Toque Poético

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O Largo da Palma ( Toque 2.6)

O LARGO DE BRANCORESUMO ( p. 31 – 47)

 

O livro do baiano Adonias Filho (1915-1990) traz seis curtas novelas em suas 112 páginas, ambientada no Largo da Palma, na cidade de Salvador/ Bahia. E assim, este cenário é palco das cenas de amor e de dor vivenciadas pelos protagonistas,  pessoas simples, anônimas aos olhos da sociedade, mas, através das produções desse escritor, elas ganham uma notoriedade indiscutível, mesmo vivendo à margem.

A segunda novela é “ O Largo de Branco”  onde o Largo da Palma serve de cenário para um reencontro de casal após  30 anos de separação. A incrível história de Eliane e Odilon que haviam se casado e separado, mas o destino prega mais essa peça.

Quando jovem,  Eliane era muito pobre, com o derrame do pai, ela e a família passam por necessidade. Ela conhece o estudante de medicina Odilon,  este deu toda assistência “E, não fosse Odilon, tudo faltaria,  dinheiro, remédios, até mesmo comida” p.42

Só tinha um problema, Odilon era muito desleixado, não se arrumava, “desajeitado e desligado do mundo”, além de muito feio.  Mesmo assim, Eliane se casou com ele após a morte de seu pai, só  não sabia que sua irmã Joanita tinha razão: “-Você, Eliane, casou com um hospital.” Nada Odilon apresentava de atraente aos olhos da esposa, os estudos em excesso, os plantões…

Igreja Nossa Senhora da Palma – Salvador/BA

E o casamento para Eliane era um tédio, numa dessas viagens com Odilon, Eliane se irrita por descobrir que ele era estéril, e o abandona.  De imediato, envolve-se com Geraldo. Este sim, homem viril, porte de atleta, vaidoso. Foi amor à primeira vista.

Eliane envelhece, perde toda a sua juventude, e o homem viril, não a quer mais, coloca ela para fora da casa.  “Eliane morava num quartinho onde o sol não entra”.  Após seis meses de separação com Geraldo, ela recebe uma carta. Inicialmente, Eliane fica eufórica, pensando que Geraldo estava sentindo falta dela e a chamava de volta,  mas toma um susto ao perceber que a carta era de Odilon, seu primeiro marido.

Eliane estava desesperada, não tinha ninguém. Morando num quartinho, sem dinheiro… Como encarar Odilon?  O que será que ele iria dizer?  Tantos anos…  Não tinha jeito, ela teria que ir se encontrar com ele, não poderia mais disfarçar a sua pobreza. Saiu, alimenta os pombos que ficava no Largo da Palma e foi em direção do seu ex-marido.

Eliane e Odilon no Largo da Palma, 30 anos depois. Odilon olhou para Eliane, como se nada tivesse acontecido entre eles e disse:

“- Vamos, Eliane, vamos para casa.”  (p.47)

Como se o Largo estivesse vestido de branco como num dia de  festa, foi assim que sentiu Eliane.

Toque Poético

 

Referência

FILHO, Adonias. O largo da Palma: novelas, Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.

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O Largo da Palma ( Toque 1.6)

A MOÇA DOS PÃEZINHOS DE QUEIJO  –  RESUMO ( p. 7-28 )

Estudantes – 3BM

O livro do baiano Adonias Filho (1915-1990) traz seis curtas novelas em suas 112 páginas, ambientada no Largo da Palma, na cidade de Salvador/ Bahia. E assim, este cenário é palco das cenas de amor e de dor vivenciadas pelos protagonistas,  pessoas simples, anônimas aos olhos da sociedade, mas, através das produções desse escritor, elas ganham uma notoriedade indiscutível, mesmo vivendo à margem.

A primeira novela  é “ A moça dos pãezinhos de queijo”  na qual Célia e Gustavo descobrem o amor. Célia é filha única de Joana, uma mulher viúva que herdara a casa  de moradia e “Casa dos Pãezinhos de Queijo”.  Na parte de cima Joana fazia os pãezinhos e Célia ficava na parte de baixo vendendo-os com a sua doce voz.

Célia tinha 18 anos, tinha voz macia, moça delicada e no Largo da Palma, os pãezinhos de queijo vendidos por ela, eram famosos.  Até que um dia entra um jovem para comprar pãezinhos de queijo,  ao chegar apontava para os pães. Célia perguntava quantos ele queria, mas ele apenas apontava.  Até que ele pega um papel e escreve a quantidade queria.  E a partir daquele momento, todos os dias ele ia comprar pãezinhos de queijo só para vê-la e ouvir a voz suave da moça.  E a comunicação era feita através da escrita, ele era mudo, mas ouvia muito bem,  e seu nome era Gustavo.

Igreja da Palma/ Salvador,BA.

Gustavo tinha 19 anos, era filho de um rico empresário, dono de uma fábrica de pregos, no entanto seu pai tinha um desgosto enorme, pois o único filho homem deixara de falar  na infância, aos 5 anos de idade, desde quando a mãe adoeceu e saiu do convívio familiar, “ela era uma doente que jamais sairia do hospital” ( p.12).  Os melhores médicos foram procurados e nos terreiros de macumba também, mas nada adiantou.  O caso foi dado como encerrado, ele teria que viver com aquele rapaz mudo. Gustavo recebia o amor da avó e de Márcia, sua irmã, esta sim, nunca perdera a esperança, nas palavras do escritor:

“ A irmã era a única pessoa no mundo que mantinha uma certa esperança. Não, jamais perder a fé! E, se os médicos não admitiam a cura, deviam recorrer a tudo, a  tudo mesmo, do espiritismo ao terreiro de macumba. Quem podia, afinal, duvidar de um milagre? ”  ( p. 19)

Gustavo informa para Márcia que estava namorando, a sua irmã se preocupa, pois a moça poderia ser uma vigarista interessada na fortuna do jovem ou uma moça extraordinária por se interessar por um jovem mudo.  E a pergunta de Márcia  teve essa resposta escrita por Gustavo:

“- Célia é a moça do Largo da Palma, ela vende pãezinhos de queijo”.

E os encontros de Gustavo e  Célia  aconteciam com mais frequência. Até que um dia Célia fez um pedido a Gustavo:

“- Não escreva mais, fale!”

Ele se desespera, mas ela o acalma e assim ele fez,  comunicava através de gestos. Cada vez mais eles se entendiam.

Num desses encontros no Largo da Palma, Célia dá para Gustavo um pãozinho de queijo, dessa vez feito por ela mesma,  ele experimenta e olha para ela emocionando e diz:

“-Amor! “   (p. 28)

 

Referência

FILHO, Adonias. O Largo da Palma: novelas, Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.

 

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Café & Microcontos

Promessa é dívida, e dívida precisa ser paga. Como havíamos prometido socializar os encontros (com estudantes) matinais literários desfrutando  um delicioso café da manhã, hoje aconteceu o nosso último  da série “ Café & Cia”.  E foi a vez da 3ª. série do Ensino Médio, turma AM do CELF.

Como estamos discutindo a literatura da escritora baiana Helena Parente Cunha, mais que justo  promover o “ Café &  Microcontos” explorando a literatura de Cunha.  Os textos escolhidos foram: “Assalto” e “A enjeitada”.

Vale lembrar que já ocorreram os encontros “Café & Poesias”   e ” Café e Contos” em turmas distintas.  Sendo que o primeiro realizado pelo o 3CM com as poesias “Essa negra Fulô” de Jorge de Lima,  “Outra negra Fulô” de Oliveira Silveira e ” A rosa de Hiroshima”  de Vinícius de Moraes. E  no segundo encontro foi   discutido os contos “Pai contra mãe” de Machado de Assis e “Outro pai contra mãe” de Aleilton Fonseca.

No microconto “Assalto” tem como cenário um banco, onde  ocorre um assalto, tudo muito rápido.  Havia uma criança acompanhada da mãe que estava na fila, ela se assusta com o barulho e é morta pelos assaltantes para o desespero da mãe, que também recebe um tiro fatal.

E no microconto “A enjeitada” conta a triste história de uma menina que cresceu buscando a sua mãe.  Muito cedo a mãe ao se casar com um novo homem, este não aceitou “a filha de outro tempo”, e ela deu sua filha para a vizinha, que também não quis, repassou. E assim ela foi criada passando de mão em mão. Ao completar 20 anos ela descobre onde sua mãe morava e vai atrás… ao reencontrar a mãe fala:”- Nunca tive tal filha!”

Assim, duas equipes  fizeram as releituras dos microcontos escolhidos. Após as apresentações, um saboroso café da manhã.  É servido? Enquanto come, aprende-se  literatura.

Toque Poético

https://toquepoetico.wordpress.com/2017/11/09/helena-parente-cunha-oficina-cem-mentiras-de-verdade/

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Ah, se o mundo tivesse a consciência (negra) de Zumbi…

Quando falamos sobre Consciência Negra o primeiro nome que vem à memória é o de Zumbi dos Palmares, o grande líder do Quilombo dos Palmares,  herói negro que lutou pela liberdade de seu povo até a morte em 20/11/1695. A  história do Brasil permeada de heróis brancos, resistiu, resistiu, resistiu… somente em 09 de janeiro de 2003, através de Projeto Lei 10.639  foi criado o DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA, e a data não poderia ser outra: 20 de novembro em homenagem a Zumbi.

Sabe aquela pessoa que tinha tudo para ser esquecida? Pois é… Não foi. A história de Zumbi é muito interessante, ele foi retirado à força do seio familiar ainda criança, mesmo sendo livre, foi criado por um padre. Estudou  idiomas, aprendeu a religião, mas não deixou ser catequizado. Alimentou e fortaleceu o desejo de liberdade não apenas para si, mas para todo o seu povo. E na primeira oportunidade o adolescente Francisco  fugiu e retornou para seu povo, eis o Zumbi! Guerreiro ou mito?

O Quilombo dos Palmares era governado por Ganga Zumba, tio de Zumbi. Na época,  século XVII, o quilombo pertencia a Capitania de Pernambuco, por sinal, uma capitania muito próspera. Quilombo era local de resistência e abrigo de escravos foragidos, com leis próprias, fato que contrariou a Coroa Portuguesa, já que o país estava sob o domínio de Portugal. E justamente por discordar de acordos de paz entre o líder e o governador, privilegiando alguns negros, Zumbi rompe com o líder Ganga Zumba. As lutas internas provocaram  a morte do tio e a ascensão do sobrinho. No entanto, há quem defenda que o problema que agravou a discórdia entre o tio e sobrinho, foi a paixão avassaladora de Zumbi por Dandara, uma das protegidas do tio… Será? Só lendo “ Consciência Negra, um toque de amor”…

Ah, se o mundo tivesse a consciência de Zumbi… a liberdade e igualdade seriam para todos, não para alguns.  Zumbi começou a lutar pelo fim da escravidão no Brasil, ele queria ver o seu povo livre das correntes. Livre do tronco, do preconceito racial e das chibatadas.  E por não aceitar uma liberdade pela metade, lutou até a morte.

Na linguagem dos nossos jovens, “Zumbi estava de boa” quando estava morando com o padre. Mas qual a consciência de Zumbi? Ele não queria essa vida só para ele. Zumbi nasceu livre! E assim também morreu lutando pelo sonho de liberdade. E o sonho  foi interrompido  por alguém que não aprendera a sonhar… Zumbi foi traído por  quilombolas, que é isso, companheiros?

O mundo precisa de muitos  guerreiros como Zumbi, guerreiros de consciências, sejam brancas, negras, amarelas, mestiças mas de consciências. A Consciência (Negra) de Zumbi deu o pontapé para abolição da escravatura, que veio ocorrer em 13 de maio de 1888 com méritos  para a princesa Isabel, isso quando a mão-de-obra escrava estava sendo um transtorno para os donos dos escravos.  A Consciência (Negra) de Zumbi pensou no bem da coletividade num país da “farinha pouca meu pirão primeiro”. Enfim,  a  Consciência (Negra) de Zumbi deu um novo rumo a história do Brasil, mesmo permeada de mitos e zumbis, mas uma história que, talvez,  resgate o  direito de sonhar por um país cheio de CONSCIÊNCIA,  NEGRA?  Por que não?

E. Amorim

Algumas leituras complementares:

https://toquepoetico.wordpress.com/2014/11/03/consciencia-negra-um-toque-de-amor/

https://toquepoetico.wordpress.com/2017/11/01/zumbi-soneto/

https://www.suapesquisa.com/datascomemorativas/dia_consciencia_negra.htm

https://educacao.uol.com.br/biografias/zumbi.htm

https://toquepoetico.wordpress.com/2015/04/24/pixaim-de-cristiane-sobral-oficina-afirmacao-de-identidade/

https://toquepoetico.wordpress.com/2017/05/15/desmontagem-do-conto-pixaim-de-cristiane-sobral-exclusivo/

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