A primavera chegou!

Que a primavera não seja apenas um período em nossa vida, pois todos os dias as flores nascem,  crescem, embelezam, murcham,  morrem… Muitas  nem notamos,  talvez, porque elas não nasceram ainda em nós… Não as cativamos.

Primavera é considerada a estação das flores, da beleza, da alegria, mas ela precisa primeiro invadir cada  ser. Quando isso ocorre,  a natureza é parte integrante da nossa vida, respeitamos os espaços transitados,  as flores e as  pessoas que as plantaram.   E como o mundo ainda está em choque com os furações, os terremotos e tempestades recentes,  sentimos a dor dos nossos irmãos que não tiveram a oportunidade de assistir mais uma primavera.

A natureza  grita alto:

– Chega de desmatamentos!  Chega de aquecimento global! Chega de queimadas! Chega de poluição! Chega de indiferença! Chega de humanos desumanos!

Queremos a primavera na nossa vida! Queremos  passear nos campos sem  minas,  comer verduras sem agrotóxicos,  abraçar  pelo prazer de tocar uns aos outros. Queremos um caminho de flores!

A primavera chegou?  Não adianta colorir  lojas,  escolas, ruas, se não fazemos nada para tornar a vida mais colorida. Se no fechar  das cortinas, as cores continuam cinzas, pretas, marrons… tons mais fechados.  A primavera precisa bater aí… sim, no  seu coração.  Ela chegando, faça-a  entrar, florir, valer a sua presença.

Não venha falar de flores, se você  só carrega espinhos! Arranque-os primeiro, um a um.  Seja alegria na vida de alguém.  Se não tem ninguém especial na sua vida, significa dizer que você também não é especial para alguém. E se não mudar de atitude, continuará sendo como uma flor, com uma beleza passageira, porque as flores murcham. A frieza  não combina com a primavera.

A primavera chega para dar um fim na frieza do inverno. A primavera chega para transformar o cenário, colorir os campos, os jardins e a nossa vida. Porque primavera é vida!

E ai? Vai abrir o coração para que as flores  façam a festa em sua vida? A primavera chegou! Se você não percebeu…   essa  flor é para você que é muito especial para mim.  Você é importante para alguém… abraços,

Toque Poético

 

 

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Adeus, meu sertão! (cordel)

Jailton  Carvalho, 3 AM/CELF, 2017.

 *

Lá no meu sertão

Vivia um pobre homem

Que só alimentava tristeza

No seu puro coração

Morava num barraco de varas

Mais parecia mais um cão.

II

Numa noite obscura

Saiu para  caçar

Mas o pobre homem

Voltou triste de lá

Com sua vida  tão desgraçada

Que nada trazia para se alimentar.

III

Comia rapadura com farinha

Licuri e milho pisado.

As tripas gritavam de fome:

– Que nordestino desgraçado!

Olhos choravam e pernas tremiam

Quanta fome ele sentia!

IV

O homem estava tão magro

Só queria uma vida boa

Com seus olhos arregalados

Sem pão, bolacha e broa.

Ó, coitado!

Até o sertão ria do desgraçado.

V

Andava, andava, andava sem parar

Vivia no campo limpo

Já não aguentava  mais continuar…

Vendo árvores secas, casa de cupim,

Gado morrendo, gente fugindo

Meu sertão! Tenha pena de mim!

VI

Sem chuva neste lugar.

Vou-me embora do sertão.

Pra nunca mais voltar.

Vou para o Rio de Janeiro

Onde vou ter vida boa

Lá chove o ano inteiro.

VII

Lá vou mudar de vida

De manhã irei embora.

Adeus minha alma sofrida

Vou viver com alegria

Do sertão  só despedida.

Chega de barriga vazia!

FIM

 

* Almeida Junior,  Recado difícil, 1895. ( apenas ilustrativo)

 

 

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Meu fiel companheiro (crônica)

 

Imagem relacionada

Não vou cometer a insensatez de dizer que Max era o meu melhor amigo. Isso, jamais! Meu melhor amigo não late, nem morde, e nunca irá me abandonar, pois sabe que o amor é reciproco. Mas posso dizer sim, que Max foi um companheiro fiel.

Quando ele entrou em minha vida, não gostei. Pois, diante de uma série de atividades desempenhadas diariamente, com a presença daquele  vira-lata, ganharia tarefas extras, por mais que o dono dissesse que cuidaria, não acreditei. Sabia que sobraria para mim.

E é impressionante como os bichos sentem que não são bem-vindos, e reagem à altura. Não podia esquecer roupa no varal, sapato, vassoura no quintal… Max estraçalhava-os, provocando-me, chamando-me a atenção.

Aos poucos fui acostumando com aquela presença indiscreta. Latindo, afugentando os gatos, pássaros e mais quem ousasse encostar no meu muro. Max tornou-se outro muro de proteção. Os prováveis intrusos teriam que passar pelos dois, o muro de cimento e o muro de carne, ossos e dentes afiados.

Um ano, dois, três, quatro… dezesseis anos! Acostumei com o meu fiel companheiro. Quando envelhecemos, deixamos algumas manias e abraçamos outras.  Acho que foi isso que aconteceu comigo e Max.  O seu dono legítimo foi embora, e  tive que assumir a tarefa de cuidar de Max.  Na verdade, Max tornou-se a campainha da casa. Dava o alarme quando algum membro da família se aproximava, ele conhecia o cheiro de cada um de nós. Os latidos eram diferentes, mas só nós que convivemos com ele tanto tempo, entendíamos a mensagem: “ Está chegando alguém”.

Hoje amanheceu nublado! Max late diferente… Quase um gemido. De repente, percebo que faltam apenas alguns dias para Max completar 17 anos… Adolescente para alguns,  mas para um cão  é uma vida!  E vejo triste a vida de Max escapando… escapando…

– Max, levante-se!

Max não se move. Há tempos que deixou de destruir as roupas no varal, acredito que só fazia aquilo para chamar a minha atenção, depois que foi aceito, Max deixou a birra de lado. E com o passar dos anos, os pelos, a força e vigor de Max ficaram para trás. Não fazia mais festa com a minha presença! Não se escondia do banho,  aceitava tudo passivamente. E agora, deita indiferente a revoada de pássaros aos seus ouvidos.

-Max, pare de brincadeira! Levante-se!

Vejo as horas passarem, os pássaros fazendo festa com a comida intocável, e Max indiferente a minha tristeza, continua deitado, será que ele voltou a fazer birra?

Elisabeth Amorim

Em 18 de setembro de 2017, às 15:08

 

  • imagem da web, apenas ilustrativa.
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Sem cronologia…(homenagem póstuma)

Quando a vida coloca a nossa frente um ponto final, o que resta  dizer ou escrever? Por que não deste mais uma chance? Por que não trocaste esse ponto pelas reticências? Por quê? Mas a vida é como uma obra de arte, “a gente passa,  olha, para e extasia … colorindo a fantasia, transformando o nada em obra de arte”.  E isso, tu fizeste muito bem, professora Angelita.

Um poeta não morre jamais, pois os seus textos pulam saltitantes em nossa frente, desafiando-nos por tentarmos  prendê-los num livro, caderno ou até numa tela de um computador. Os textos gritam, criam asas, voam como passarinhos livres.  E o que dizer de uma artista plástica com suas tintas e pincéis? As suas telas coloridas que preenchem o espaço em branco, ganhando e alimentando vida.

Tu que escreveste  “Cronologia”,  “Nós e Nepomuceno”, “Crônicas do meu jeito” entre outros livros, pintaste com tinta dourada a tua história.  A tua escrita era pintura! Trouxe no sangue o dom de ensinar, quantas  pessoas tu ensinaste além do ler e escrever? Porém, incentivaste a pensar sobre a condição aqui neste mundo. Num mundo pessoal no qual é guardado o nosso desejo mudo. Esse desejo que “há sempre”…

“Há sempre no meu mundo,

um apelo surdo,

Há sempre no meu muro,

um canto obscuro.

Há sempre no meu ser,

um desejo mudo”…

Sabe por que devemos manter a mente ocupada? Porque  “mente vazia é oficina de satanás”, lembra? Aprendi contigo na minha adolescência… Uma artista como você as ideias fervilhavam, e a cada conversa era uma lição de vida aprendida.

Ah, o texto que mais me identifiquei?  Pois é… É ele mesmo que colocarei aqui, porque sei que onde estiver você está neste momento sorrindo dessa minha escolha, mas não poderia ser outro. Você é e continuará sendo uma artista.  Mesmo que a gente para, olha, extasia diante da sua arte,  que infelizmente, foi interrompida…continuará viva no nosso coração. Porque habitou em ti a “sintonia do amor” onde os “eus” de uma mulher se duelam e se complementam, acredito, sem cronologia.

 

Sintonia do Amor

 

Hospedam em mim duas mulheres,

que de si mesmas com apego cuidam

e com apurados gestos

se amam e se revezam

no amor, na dor e no silêncio.

 

Na indagação vive uma

Que firme exige toda ação

e rija cobra, atentos passos

para que nada se escape

da alma, do amor, do coração.

 

A outra é doce, sóbria e lenta.

E o que tem se perde

no calor d’alma e emoção,

dorme e divaga seus segredos,

doura o sonho e se inquieta.

 

E por mais que sejam duas,

sonham, amam e se buscam,

se repartem e se unem,

e voam no mesmo sonho,

numa só busca do amor.

 

Hospedam em mim duas mulheres

que se revezam na vida,

se completam em pensamentos

regidas por regras, leis, atentas almas,

sem medo de ficar ou de partir.

(p. 43 – 45 do livro Cronologia)

Descanse em paz  poetisa Angelita Maria Lima de Aragão!

 

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Olhos no retrovisor ( livro)

”  (…) Como você olha para a educação e como ela te enxerga: O que a escola ensina e o que você aprende? Talvez a questão mais relevante: como você se forma e o que faz para se transformar e não ser mais um (de)formado? Este livro brinca com as palavras. Suas histórias levarão as interrogações até o leitor. Até que ponto isso realmente aconteceu?  Esse conto está falando de mim?

Afirmo, caro leitor, este  é  um livro de memórias, e como tal, faço questão de deixar o registro como reforço “minhas memórias”. Que tal escrever também suas memórias: Quem conta um conto…é contista!”

(…)

A autora

 

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ADESI organiza desfile cívico em Iaçu!

A Associação de Desenvolvimento de Esporte de Iaçu (ADESI) fez bonito nesse 7 de setembro. Para comemorar os 195 anos de Independência do Brasil  a ADESI organizou o desfile cívico e a pequenina cidade baiana ganhou esse presente.

Para tal a ADESI contou com o apoio da Polícia Militar, esportistas, ciclistas, fanfarras da cidade e de cidades vizinhas e a comunidade iaçuense que foi às ruas prestigiar mais uma iniciativa em prol do esporte da nossa cidade.

É uma ação que ganha o nosso toque poético, pois estamos diante de um país tão desacreditado, mediante a tantas denúncias de corrupção envolvendo vários políticos, a ponto de muitos propagarem nos grupos: Comemorar o quê?

Estamos comemorando a Independência do Brasil. O país desde o dia 7 de Setembro de 1822 cortou os laços políticos com a Coroa Portuguesa, uma vez que D. Pedro I brandou próximo às margens do Riacho Ipiranga, São Paulo, o grito da independência.

O que chama a atenção  do desfile promovido pela ADESI é  justamente a parceria.  Há  um abraço de  parceiros da cidade ou de outras cidades e com isso fica marcado  o quanto o abraço faz a diferença em qualquer situação.

 

 

Parabéns, ADESI!

 

 Toque poético

 

 

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Mulheres arretadas (cordel)

Há quem diga nesse mundo

Que mulher é bicho frágil

Mas se for olhar bem no fundo

Espie só que diacho

Mais valente que muito homem

Já suportou até a fome

E todo tipo de trabalho.

 

Da nordestina eu me orgulho

Dessa eu gosto de falar

Tem força de um touro

E a leveza de um sabiá

Quando eu quero um chamego

Com o seu jeitinho tão meigo

Não me deixa aperrear.

 

A força dessas guerreiras

A gente não pode negar

Sendo Rachel de Queiroz a  primeira mulher

Na Academia de Letras entrar

Com toda a sua glória

Foi um marco na história

Que muitas puderam admirar.

 

Tem a rainha do cangaço

Essa não pode faltar

Nascida dia 8 de março

Veio o mundo abrilhantar

Pense numa mulher destemida

O nome dela é Maria Bonita

Seu sobrenome é lutar.

 

E por falar em luta

Prestem bem atenção no que vou dizer

Encarar tanta labuta

E não se compadecer

Essas são todas as “Marias”

Que misturam dor e alegria

E não perdem a esperança de viver.

 

 

Que me desculpem as estrangeiras

Não quero menosprezar

Mas as mulheres nordestinas são top

Sabem mesmo arrasar

Eita mulheres arretadas!

De Rachel a Maria Bonita

Dessa região tão rica

Só joia rara para mostrar.

3BM

__________________________-

Produção: Estudantes do 3BM ( Ensino Médio)

Fruto do  “Olhar Literário Nordestino”,  e tem muito mais…

                                         Toque Poético

 

 

 

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