Literatura iaçuense muito além do horizonte…

 

Imagem de dez/ 2015

O título dessa notícia muito me agrada e orgulha, pois sei da luta, os caminhos percorridos e preço pago por persistir num sonho pequenino: propagar a literatura da/em nossa cidade. Fomos além, muito além do que podíamos imaginar… e se hoje  fechar este espaço virtual literário e tantos outros nos quais colaboro voluntariamente elevando o nome da nossa cidade, posso dizer aos caros leitores que valeu a pena a caminhada com Deus.

Quando pisei numa sala de aula como professora substituta no curso de  magistério, percebi o potencial dos alunos, sabia que bastava um abraço e fui abraçada num período em que aluno não era nem notado…  Assumir uma turma ainda sendo aluna de magistério. Sabia que bastava um incentivo,  uma mãozinha para que os textos  brotassem.  E desde então, de forma incansável faço a minha parte, procuro SER MÃO, não para apontar erros, mas socializar e aplaudir os acertos.  Estou  na contagem é regressiva… mas minha história de leitora, incentivadora e professora ousada fica nos registros literários produzidos ao longo desses anos. Pois sem ousadia andamos em círculo, só rompe e avança quem ousa quebrar algumas correntes e dar os primeiros passos.  Ser leitor é mergulhar no infinito das palavras, às vezes cruzadas, e tirar delas a essência. É o que fazemos com frequência… lemos, escrevemos, desmontamos e divulgamos para o mundo. Eis as respostas,  graças a Deus!

Mesmo vindo de uma educação tradicional, não aceitei ser transmissora do tradicionalismo, sempre  investir na inovação para uma possível transformação cultural.  De tanto incentivar a leitura e a escrita, resolvi também divulgar os meus escritos tão bem guardados desde a adolescência. Foram tantos projetos exitosos implementados na educação do município de Iaçu que encheriam páginas.  No entanto, o que venho dando ênfase é  “ Literatura em rede”,  um projeto arrojado que resume, desmonta, divulga textos de escritores da nossa região nordeste, principalmente do estado da Bahia e lança-os nas redes sociais. Um projeto que incentiva a produção de nossos escritores aprendizes,  como os estudantes de educação básica da cidade de Iaçu, sejam eles de qualquer esfera pública ou privada. Um projeto que nos deu um certificado em 2016 de “Boas Práticas Cidadãs” através da Saeb/SEC/BA.  E seguimos promovendo o nome da cidade por onde passamos. E ganhamos mais que leitores, mas o respeito de muitos pelo nosso trabalho, porque nunca estive sozinha.

 

Mas o que nos reserva é bem maior. Às vezes queremos  ganhar uma cidade, mas Deus trabalha em silêncio e nos dar o mundo. Não se surpreenda, é o poder inigualável do nosso Deus. E não teria como deixar de agradecer a todos vocês  da cidade de Iaçu que leem, compartilham, criticam, elogiam, abraçam, compram, presenteiam textos/livros de nossos autores baianos que vivem à margem da literatura, como o meu caso, por exemplo.  Agradeço aos professores que buscam metodologias aqui, e através do nosso toque poético levam para suas salas de aula textos com as marcas do nosso projeto. Nosso sim, sabe por quê?  Porque você que está aqui diária/semanal ou mensalmente faz parte dele.  E os leitores pipocam do Japão ao Brasil…em alguns sites os Estados Unidos lideram em disparada, já em outros o Brasil assume a ponta, todos bebem da fonte cristalina do toque poético.

Como diz  Lombi (TV Record) “O melhor sentimento  é saber que alguém sorrir e você é o motivo”.  Pois é… queremos  que a  nossa alegria te pegue de jeito e te contamine com o vírus da literatura iaçuense. Mas nem se preocupe, espalhar literatura é uma forma saudável que encontramos para qualificar o uso das tecnologias e  promover a formação de leitores. Deu certo, pois vocês abraçaram a nossa ideia.    Saímos do nordeste, amigos leitores, dessa pequenina cidade chamada Iaçu e estamos lentamente espalhando a literatura em diversos países, territórios, continentes, além do nosso,  é claro! Estamos sendo abraçados também… Estados Unidos, Portugal, Alemanha, Itália, Colômbia, França, Espanha, Japão, Rússia, China, Grécia, Indonésia, Hungria, Reino Unido, Luanda, Polônia, Moldávia, Vietnã,  México, Austrália, Estônia… bem, depois continuaremos pois a lista é imensa,  mas não poderíamos de deixar de reafirmar o que já vivenciamos : “ Quão grandes são, SENHOR, as tuas obras! Mui profundos são os teus pensamentos! ( salmos 92:5)

Este abraço é para você, e obrigada por fazer parte do nosso toque poético.

 

                                               Elisabeth Amorim*

*Escritora de contos infantis, juvenis, poesias, crônicas, artigos, mensagens, cordéis e romances.

Em setembro…”OLHOS NO RETROVISOR”

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Te contei? ( cultura iaçuense*)

 CORREIOS      

  • Que o CORREIO de Iaçu foi fundado há mais de 100 anos…
  • Os funcionários mais antigos da agência do Correio de Iaçu :
  • Rubens Reis Almeida, Carlos Possidônio Sampaio – telegrafistas
  • João Madureira, Arlinho Francisco dos Santos, Torquato Bispo dos Santos – Guardas –fios.
  • José Ramos, Osvaldo Oliveira e Luis Fagundes – Condutores de malas

 

 A RÁDIO PARAGUAÇU  

  • Fundada em 1977 com o nome RÁDIO UNIÃO, iniciativa do Sr. Adalberto de Freitas Guimarães.
  • Em 1998 – através da Associação Comunitária Ação e Cidadania a Rádio Paraguaçu volta a funcionar após um ano fora do ar.
  • Somente em 2001 a Rádio Comunitária tem seu funcionamento aprovado.
  • O primeiro locutor foi Ronaldo Ramos.

 

ALTO-FALANTE SOM DA CIDADE 

 

  • O primeiro SOM DA CIDADE iniciou na década de 50 com sede no Hotel Pinheiro.
  • A Sra. Izabel Couto Conceição ( Dona Bezinha) atuou como locutora durante 15 anos, possivelmente ela foi a primeira mulher a trabalhar como locutora voluntária  em nossa cidade.
  • Para transmissão de notícias eram utilizadas bocas de alto-falante e amplificadores.

 

CINEMA     **

 

  • Na década de 80 Iaçu tinha o Cine Eliana e as filas eram constantes;
  • O Cine Eliana funcionava num armazém localizado à Praça XV de Novembro.
  • Os moradores de todas as idades desfrutavam dos filmes  exibidos, muitos numa forma bem rústica, onde parava a exibição no meio do filme, após alguns ajustes, voltava a funcionar. No entanto, esses contratempos não diminuíam o movimento de telespectadores.

 

EDUCAÇÃO  3B/2017

  • O Ensino Médio foi implantado em 1997, no Colégio Estadual Lauro Farani Pedreira de Freitas – única escola de ensino médio na cidade.
  • O primeiro livro de pesquisas sobre lendas da cidade foi publicado em 1997, intitulado “Além da imaginação”, pesquisas realizadas pelos estudantes de Formação Geral do Col. Est. Lauro Farani.
  • O ensino da literatura na cidade de Iaçu é tema central da dissertação “Desmontagem da literatura em educação básica”  de Elisabeth Amorim, defendia em 2014/ UNEB.
  • A primeira revista literária de uma escola pública baiana foi a PERFIL, criada em 2007,  no Colégio Estadual Lauro Farani.
  • Em 2010 foi criada a I FEIRA DA EDUCAÇÃO  pela então Secretária Municipal de Educação, a pedagoga Roseli Bispo Louzada, na qual as escolas municipais apresentam publicamente na Praça dos Ferroviários o resultado das pesquisas/ leituras do primeiro semestre do ano letivo.
  • Em 2002 ocorreu a IV Feira Cultural do CELF, desde então o projeto foi encerrado. No entanto outros projetos são implementados todo ano, como Feira de Ciências, Jogos Estudantis, Dinamicidade da Língua e os Projetos Estruturantes da SEC/BA (FACE, TAL, PROVE…)

 

CURIOSIDADES LOCAIS  

  • Em 1882 chega a ferrovia na região e transforma os arredores da Fazenda Sítio Novo( hoje, Iaçu) em um centro de  circulação de mercadorias vindas nos trens de passageiros e de cargas.
  • 1904 é construída a ponte SEVERINO VIEIRA que liga Iaçu a Itaberaba.
  • 1958 – Emancipação Política de Iaçu, primeiro prefeito Joel Barbosa.
  • 1998 – Inauguração do Mercado Municipal – Bairro da Boiadeira.

  Toque Poético

* informações (mais antigas) com base nos registros da área de  linguagens da IV Feira Cultural do CELF/2002 ( fruto de pesquisa dos ESTUDANTES DO CELF)

**imagem do cinema retirado do blog “o licuri”

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Bilhete ao Mário Quintana ( Oficina de Poesia*)

  • Bilhete

Não te amo mais,

Pois foste embora e me deixou sozinho

No meio da solidão, encontrei um caminho

Pois a cada passo te esquecia devagarinho

A vida me levou você… Fiquei sozinho.

Com o tempo percebi

Que você na minha vida passou

Como um passarinho.

1º. A/ matutino, 2004

  • Fim do romance

 

Meu amor, eu  te escrevo em poucas linhas

Para te dizer que foi bom

Enquanto durou.

Nosso amor acabou.

Agora, deixe-me em paz, enfim…

Para que a vida possa fluir

E novos amores possam surgir.

 

1ª. A/ matutino, 2004

  • Bilhete

 

Nosso amor foi breve

É solitário ainda por entre a gente…

Mas como causar

Pode seu favor…

Nos corações humanos

Amizade?

Se tão contrário a si mesmo

É o amor?

 

1ª. C / matutino/ 2004

 

  • Recado

Se tu gostas de mim

Deixe-me em paz!

Sozinho estou bem

Não te quero mais!

Será melhor assim

Já não te amo mais.

Sigas a tua vida

Não olhes para  trás.

Pois juntos não viveremos felizes

JAMAIS!

 

1º. B, matutino, 2004

  • Bilhete

 

Eu não te amo mais

Não grite meu nome

Deixe-me em paz!

Enfim, fique longe

Longe de mim.

Tem que ser depressa

Que a vida é breve, e este amor

Para mim

NÃO SERVE!

 

1º. C, matutino/ 2004

  • Bilhete

 

Minha ex-querida

Nosso amor

Que sempre

Sempre brilhou

Como a luz do sol

Hoje se apagou

É muito

Muito

TARDE.

 

1º. A, matutino/ 2004

  • Bilhete

É tarde demais, vou embora

Deixei meu amor para trás

Não pense mais em mim

Porque já te esqueci

Foi bom enquanto durou

Que pena!

Acabou.

 

Se na próxima encarnação

Encontrarmos…

Quem sabe?

Mas agora,

É o fim!

1ª. A, matutino, 2004

  • Bilhete

Quando me amava

Amava-me bem alto

Gritavas de cima do telhado

Não deixava os pássaros em paz

E muito menos a mim…

Hoje, ama-me tão baixinho que

Acho que não me amas mais

E a cada dia que passa tenho a certeza:

A vida acaba

E o nosso amor já acabou.

 

1º. B, matutino, 2004

  • Bilhete

Foi bom enquanto durou

Sinto, mas tive que pegar no pé

Foi cobrança daqui, dali…

Tudo pensando em você.

Sei que fui chata,

Exigente, às vezes  insuportável

Mas agora que chegou ao fim

Acho que você entendeu

Não precisa me amar assim…

Apenas aproveite todas as oportunidades

Não vista apenas uma farda

ESTUDANTE,  não fiz nada para o seu mal

A vida é bela, a ESCOLA  também.

Lembre-se:

Você é especial.

( Elisabeth Amorim/ dezembro, 2004)

  TOQUE POÉTICO

Alunos do Colégio Estadual Lauro Farani dão a resposta ao   poema BILHETE   do gaúcho  MÁRIO QUINTANA (1906 – 1994), assumindo o eu-lírico do destinatário do referido poema.  Esta desmontagem literária é metodologia criada e aplicada com êxito pela professora de literatura  Elisabeth Amorim.

Continue conosco, aqui tem sempre novidades literárias.

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Vaqueiro de Vidas secas

Fabiano é um vaqueiro que não tem moradia fixa, tem uma família composta de uma esposa, dois filhos e uma cadela com o nome de Baleia.  Ele e sua família vem passando por sérias dificuldades por este sertão do nordeste. Ele precisa de um lugar para morar com a sua família.

Maiores informações, leia o livro VIDAS SECAS de Graciliano Ramos que se encontra na biblioteca Antônio Possidônio Sampaio ou assista ao filme com o mesmo título.

Produção de estudantes do Col. Estadual Lauro Farani/ 3a. A/ 2008

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Vidas secas

Fabiano e família procuram emprego em fazenda, ele vaqueiro.

A única condição da mulher Sinha Vitória é que tenha uma cama de couro para se deitar.

Maiores informações com Graciliano Ramos.

Produção de estudantes do Col. Estadual Lauro Farani/ 3a. A/ 2008

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 (Giacomo Balla, A doida)

                  Atenção! Paixão impossível leva jovem à loucura

 

Ismália a jovem bela, enlouquece depois de se apaixonar pela lua.

Amor impossível. Sobe em uma torre para se aproximar do seu amor, ao perceber que o seu amor também estava no mar… Ela se joga da torre e morre.

Produção de estudante do Col. Estadual Lauro Farani/ 2. A/ 2008


                                      Para refletir

Às vezes um gênio é considerado um louco e um louco é considerado um gênio. Até quando o sonho utópico pode se transformar em realidade? Até onde você iria por um sonho? Descubra, leia ISMÁLIA, de Alphonsus de Guimaraens.

Produção de estudante do Col. Estadual Lauro Farani/ 2 A/ 2008

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ISMÁLIA

Procura-se segurança para a lua???

De preferência que durma no emprego.

Produção de estudante do Col. Est. Lauro Farani/ 2.A / 2008

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  Ainda Ismália

Se você está a procura de um texto de auto-ajuda, Ismália é um poema de Alphonsus de Guimaranes que retrata até que ponto a loucura pode levar uma pessoa. De uma forma simbolista, ele mostra a atitude de um ser fora de si.

Ismália se encanta com a lua, sem ter grandes noções dos seus atos, ela se joga no mar em busca de uma ilusão.

Produção de estudante do Col. Est. Lauro Farani/ 2 A/ 2008

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SAM_2659

Os sertões

Antônio Conselheiro está a procura de voluntários para segui-lo por este sertão afora em suas andanças.

Ele afirma que os seus seguidores não pagarão impostos.

Estudante do Col. Est. Lauro Farani/ 3a. A, 2008

 

Toque Poético

os grafites literários no muro também foram feitos por estudantes da referida escola.

  • Todas as produções divulgadas foram publicadas na  PERFIL: REVISTA LITERÁRIA DO LAURO FARANI/ 2008. p. 56 e 57.  Há muito mais nas referidas páginas, vale lembrar que esse material serviu de análise  para a defesa da dissertação “Desmontagem Literária na educação básica” de Elisabeth Amorim, pois a mesma apresentou táticas de desmontagem literária para promoção e transformação do texto literário. Como vocês notaram, os livros “VIDAS SECAS” de Graciliano Ramos, “OS SERTÕES” de Euclides da Cunha e  o poema ISMÁLIA foram desmontados totalmente.
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Vidas secas (cordel*)

Produção de estudantes do CELF

Nascido em Alagoas

Alagoano de primeira

GRACILIANO RAMOS foi Jornalista

E prefeito de Palmeira

Amigo da vanguarda

Dos escritores nordestinos

Esse grande escritor

Escreve obras do destino.

II

Criou seu primeiro romance

CAETÉS em 1930

Graciliano é preso

Acusado de comunista

Ainda na prisão

A vida só tem gozado

Escreve o  romance ANGÚSTIA

E VIDAS SECAS  desesperado.

III

Graciliano Ramos inventou

Vários livros, meu senhor!

E em 1934

De SÃO BERNARDO foi autor.

MEMÓRIAS DO CÁRCERE ele  também inventou.

Foi uma história que me abalou

Inventada por Graciliano Ramos

Que foi um grande autor.

IV

Agora preste atenção

Na história que vou contar

E sobre o livro VIDAS SECAS

Você vai adorar.

Uma família castigada

Caminhando pela seca

Andava o dia inteiro

A procura de sombra e água fresca.

V

O filho mais velho

Não aguentava mais andar

O pai impaciente

Começa o filho xingar.

O nome da família

Eu não posso esquecer

Sinha Vitória e Fabiano

E  dois filhos que não sei dizer.

VI

Os animais de estimação

Eram um papagaio e a cachorra Baleia

O papagaio foi devorado

E agora só ficou Baleia.

Depois de longas caminhadas

Encontraram uma fazenda abandonada

E acabam ficando lá

Esperando uma próxima retirada.

VII

Sinha Vitória sempre sonhou

Em dormir numa cama de couro

Chega da cama de vara!

Queria apenas se deitar

Para seu sonho realizar.

Lamentava a sua desgraça

Olhava para o céu e dizia:

Ave Maria cheia de graça!

VIII

Fabiano, um vaqueiro desesperado

Não sabia o que fazer

No fundo ele achava

que aquele sonho de Sinha Vitória

Nunca iria acontecer.

Vivendo naquela seca

Fabiano e Sinha Vitória

Mantinham a mente fresca.

IX

A vida de retirantes

Era caminhar sem parar

Convivendo todos juntinhos

Até tudo  recomeçar.

O diálogo era pouco

Com a seca resolve fugir

Da fazenda que hospedaram

Não tinham como ficar ali.

X

Caminham muitas léguas

Quase sem sentir

Quando percebem o percurso

Já estavam longe dali.

Param só para comer.

Em seguida a família tem que partir.

Pois se restasse algum sonho

Tinha que da seca fugir.

XI

Na verdade a família queria

Encontrar  uma terra amiga

Para contar nova história

Onde morasse gente querida

E os  seus filhos mudassem de vida.

E estudassem numa  escola

Mas que as coisas do sertão

Nunca  saíssem da memória.

XII

A história acaba aqui

Não sei se realmente rimou

Mas se você não gostou,

Paciência, por favor.

Espero que tenha prestado atenção

No cordel que acabou de ler

Foi sobre o romance  VIDAS SECAS

Todos precisam conhecer.

Fim

  TOQUE POÉTICO**

  • Produção de estudantes do Colégio Estadual Lauro Farani Pedreira de Freitas/  3a. série do Ensino Médio/ Turma B, matutino, 2008.

 

* * Mais uma produção literária do CELF  que faz parte do acervo do  Toque Poético. Um cordel que  deixa  as marcas das pesquisas realizadas.

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O Santo e a Porca ( olhar nordestino 5.5)

O grande escritor paraibano Ariano Suassuna(1927-2014) foi o maior defensor da cultura popular do nosso país,  com o destaque para o nordeste. Autor de “Auto da Compadecida”, sua obra mais conhecida. Mas é na peça teatral em forma de comédia “O Santo e a Porca”(1957) que ele apresenta o homem em  conflito, dividido entre o espiritual representado pela  imagem de Santo Antônio e o material na figura da porca, espécie de cofre onde guardava todas as economias.

A peça é ambientada na casa do Euricão Árabe, onde residia com a sua única filha Margarida e a sua irmã Benona.  Além dos três membros da família,  havia  também uma empregada bem esperta chamada Caroba,  que apesar da sua esperteza, não conseguia fazer com que o patrão avarento pagasse em dia  o seu salário e do seu namorado Pinhão.

No entanto, a quebra da rotina acontece quando o dono da casa recebe uma carta do rico fazendeiro Eudoro, um viúvo que no passado havia tido um romance com Benona. Ele estava disposto a se casar novamente, viria pedir a mão de Margarida em casamento.  Como Margarida (filha de Euricão) havia passado as férias  na fazenda de Eudoro, ele escreveu para o pai da jovem dizendo que retribuiria a visita, porém  levaria  o bem mais precioso que ele tinha.

Caroba logo percebeu do que se tratava.  A Margarida era a filha única de Euricão, ela representava esse bem precioso. Mas Euricão por ser avarento e ganancioso, preocupou-se com a porca onde guardava dinheiro, logo achou que o fazendeiro queria lhe roubar.  E começa a sua batalha para esconder o seu tesouro.  E por ser devoto de Santo Antônio, ele cobrava constantemente do santo a proteção pela sua porca, sem jamais pensar na filha, verdadeiro tesouro que ele tinha.

Assim a peça acontece em três atos. Caroba articulava para que Euricão não descobrisse que a sua filha Margarida namorava Dodó, filho de Eudoro que fazia algum tempo se distanciou da casa do pai, fingindo-se estudar fora.  Caroba convencia o patrão a ficar esperto com a visita, pois poderia ser um suposto golpe. Com a chegada de Eudoro à casa de Euricão,  Caroba se aproveita da situação, inclusive pedir umas “terrinhas” ao Dodó para que o segredo não fosse revelado.  E de tudo ela  fazia para que o equívoco prevalecesse. Enquanto o Eudoro pensava em se casar com a jovem Margarida, Caroba trabalhava para Euricão  Árabe pensasse que o fazendeiro estava querendo era dinheiro emprestado. A avareza era tamanha que Euricão não percebia a distorção do discurso feito pela sua empregada.

Quando finalmente a verdade é revelada, pois a porca não tinha mais serventia,  Euricão percebe que a vida inteira acumulou dinheiro para nada, pois o dinheiro se desvaloriza,  sai de circulação, é roubado…  e a sua pequena fortuna não passava um amontoado de papeis velhos.  Quando faz uma reflexão do que realmente vale a pena guardar nesta vida, Eurico percebe que ficara sozinho, restando-lhe apenas a companhia do santo que permanecia inerte sobre a mesa e a porca.

Mais uma vez, o autor Ariano Suassuna conseguiu  criar uma obra brilhante.  O que o homem tem de mais valor?  Que tesouro devemos acumular na terra?  A meio a toda confusão hilária da peça teatral, fica a lição. Os bens materiais podem perder o valor, o ladrão poderá levar, as traças podem comer, um golpe poderá acontecer e modificar todo o cenário.  O homem morre e toda a vaidade, ganância, avareza ficam como lembranças. Que história de vida deixamos para os nossos filhos?

“O santo e a porca” sacode as estruturas do ser humano.  Promove a reflexão  sobre os valores atribuídos às coisas materiais.  Euricão perdeu a filha Margarida, pois ela casa-se com Dodó, perdeu também a irmã Benona que reatou o relacionamento com Eudoro, até a empregada Caroba se arranjou com o seu Pinhão, outro empregado de Euricão.   E Euricão passa a questionar ao santo sobre o porquê do ocorrido, se tudo que havia feito  realmente valeu a pena…

E nós? O que escolhemos diariamente? Alimentar mais o nosso lado espiritual ou o material?

  Toque Poético

Fica essa brilhante peça teatral como dica de leitura sobre  o olhar nordestino que se fecha temporariamente com essa obra.  Veja as nossas dicas anteriores:

1.5 –  Fogo morto – José Lins do Rego

2.5 – Morte e Vida Severina – João Cabral de Melo Neto

3.5 – Grande sertão: veredas – João Guimarães Rosa

4.5 – São Bernardo – Graciliano Ramos

  • Comentário feito a partir  encenação  do grupo teatral  “OS PROTAGONISTAS”.

 

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São Bernardo (olhar nordestino 4.5)

O livro “São Bernardo” (1934) do alagoano Graciliano Ramos (1892-1953)  apresenta  a história de um homem rude, autoritário que desumaniza gradativamente para atingir os seus objetivos.  Justamente ele, Paulo Honório é personagem-narrador que sem nenhum enfeite nem remorso relata a  sua trajetória para ocupar a posição ocupada: proprietário da Fazenda São Bernardo.

Paulo Honório após alguns anos que perdera a sua esposa Madalena, resolve  escrever a própria história. Como ele chegara até ali? Com quem ele fez alianças? Quantas pessoas ele havia destruído? Quantas vidas foram ceifadas por conta da sua ambição desmedida?  Bem,  o romance de 30, regionalista traz sem dourar a pílula a vida pregressa de um rico fazendeiro que em determinado momento olha para traz e só consegue ouvir o choro e a tristeza das pessoas que ele havia magoado.

Criado na infância por uma doceira, Paulo Honório viveu de tudo um pouco. Ainda jovem foi parar na prisão por esfaquear um homem. Durante o período da prisão ele aprendeu a ler e escrever, bem como, decidiu que sairia dali para ganhar dinheiro.  E isso ele fez. Começou com uma pequena quantia tomada de empréstimo, para também entrar no ramo da agiotagem.  Temido pela violência que cobrava os seus devedores, Casimiro Lopes tornou-se seu  braço direito em todas as falcatruas realizadas.

Paulo Honório decidiu que a próspera Fazenda São Bernardo seria dele.   Aproximou-se do herdeiro, o Luiz Padilha, conheceu as suas fraquezas, pois o jovem era boêmio, jogador, inexperiente e gostava de beber em demasia, com isso, numa mesa de bar a fazenda muda de dono por um preço irrisório, Luiz Padilha perde-a para Paulo Honório. E assim começa a ascensão do fazendeiro Paulo Honório.

No entanto, a ambição de Paulo Honório não tinha limites, para ampliar os limites de São Bernardo manda assassinar  o proprietário da fazenda vizinha, assim com a morte de Mendonça, dono da Fazenda Bom-Sucesso, misteriosamente a cerca da São Bernardo mudou de  lugar.  Briga feia com os herdeiros da Fazenda Bom-Sucesso, mas não era problema para Paulo Honório, pois as alianças com as autoridades locais ( padre, jornalista e advogado)  garantiam o arquivamento do processo.

Paulo Honório era temido pelos métodos utilizados para atingir objetivos, por isso quando decidiu que São Bernardo precisava de um herdeiro, não mediu esforços. Conheceu a professora Madalena e  investiu na relação pensando no herdeiro.  Com a proposta de levar escola para São Bernardo, convenceu-a morar na fazenda, como houve resistência, pois a jovem morava com uma tia( Glória), ele falou na possibilidade da tia ir morar lá também e ajudar na administração da casa.  E o casamento aconteceu. Paulo Honório, um homem bruto e arrogante com a “frágil  e submissa” professora Margarida, assim pensava ele.

O que Paulo Honório não esperava era que Margarida  fosse uma mulher determinada, forte, segura e muito inteligente. E os seus planos são estremecidos, pois queria ter a mulher insegura, submissa, frágil que seria como mais um “objeto” decorativo da fazenda.  E desde a chegada de Margarida a sua vida tão organizada para comandar, matar, humilhar e vencer, sofre um grande abalo.  Mesmo com a chegada do herdeiro, não foi o suficiente para Margarida parar de interferir na administração da fazenda, na escola e nos seus pensamentos.  E quanto mais ela participava, mas Paulo Honório tornava-se cruel, violento e vingativo a ponto de demitir empregados que conversavam com ela, e se desesperar achando que havia uma suposta conspiração  para derrubá-lo.

E nesse tormento, Paulo Honório descarregava toda a sua fúria em Margarida, acusando-a  de traidora, agredindo-a cada vez mais. Todos o temiam, pois conheciam os métodos utilizados contra os inimigos. E a jovem Margarida perde o interesse pela vida, e comete o suicídio.  E a carta  que Margarida fez, Paulo Honório achou que seria para um suposto amante, descobre que era para ele, uma carta de despedida.  E por conta dessa revelação, ele decide também fazer o registro, e escreve São Bernardo como um livro de memórias.

Enfim, Paulo Honório após a sua narrativa percebe que mesmo se tivesse outra chance tudo aconteceria da mesma forma, pois ele não mudaria, a vida tinha o tornado bruto, “monstro”.  No entanto, ele nem percebera que já estava mudado. Pois o fato dele reconhecer as  falhas, escrever sobre as próprias maldades e assumir a responsabilidade pelos atos ilícitos realizados, é uma mudança.   Paulo Honório termina solitário, triste e decadente igual a sua fazenda São Bernardo, tudo a sua volta se evaporou, restando-lhe o herdeiro planejado que também se mantinha distante do pai,  e o capanga Casimiro Lopes, “coisas”  adquiridas por um preço muito alto.

                                          Toque Poético

Conheça outros romances com os traços do sertão/ nordeste

1.5 –  Fogo morto – José Lins do Rego

2.5 – Morte e Vida Severina – João Cabral de Melo Neto

3.5 – Grande sertão: veredas – João Guimarães Rosa

 

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