Eu e A cabana (crônica)

Cada livro é único, particular, bom, ruim, impressionante ou simplesmente indiferente. Essa crônica é  para atender o apelo final do livro “A Cabana” de William P. Young/2008, uma ficção tão propagada que não dá outra opção a não ser escrever,  deixar aqui um toque poético com as primeiras impressões  como sugere o autor.

Não posso dizer que o livro me tirou de fundo de um poço, pois não foi isso que aconteceu. Vivo em constante estado de graça, aprendi, também na dor, a viver em paz comigo mesma,  antes, durante e depois da leitura desse livro, mas posso dizer de que forma ele serviu de inspiração para essa crônica.  E o caminho que irei trilhar é justamente como esse livro veio parar em minhas mãos.

Percebi o quanto Deus transforma a vida de qualquer um como Mack, protagonista do livro , qualquer lugar, como uma cabana abandonada, cenário  do best seller.   Existem cabanas vazias, escuras e  sem nenhum brilho quando falta  a presença de Deus ou seja quando a Trindade não está no centro, igualzinho acontece na vida de cada um, é opção viver no escuro ou ser luz para outros. Mack optou pela segunda opção, decisão inteligente.   Essa foi a primeira impressão que tive ao fechar a página final.

Quando foi lançado no Brasil, estava envolvida até o pescoço com problemas alheios. Uma amiga passava por crises conjugais e como os problemas abraçados se multiplicam, havia problemas  também no  trabalho e  para agravar mais a situação houve  desentendimentos com novos  vizinhos e os conflitos se agigantaram. Enfrentávamos juntas as dores,  ela, cristã, enquanto eu vivia sem religião definida, mas sem deixar de confiar e entregar a Deus cada amanhecer e anoitecer.   E a minha amiga  optou por sair da cidade…

As coisas vivenciadas por ela, de fato foram impressionantes, sobrenaturais,  tive oportunidade de presenciar algumas situações, que levaram-me a perguntar: ” – Deus, onde estás?  Por que essa pessoa está passando por tantos conflitos?” Acho que ela estava numa espécie de cabana vazia, mas com sombras suficientes, onde a dor e  os gemidos foram mais altos que a presença de Deus. Porém o tempo de Deus é infalível, após alguns anos,  recebi esta encomenda, sem nenhum bilhete, cartão,  dedicatória, sem nada. Simplesmente um livro embalado de presente com apenas um recado verbal identificando o remetente. Eis: A cabana!

“A cabana” era o quê mesmo?  Li o resumo na capa final,  definitivamente não me atraiu, não me tocou, não me chamou… Por isso guardei o livro  intacto,  sem ler uma única página.  Achei aquele presente deselegante sem nenhum cartão… diante de tudo que passamos juntas, mas  quem não construiu a própria cabana?  Quem não entra no quarto secreto e se despe de todas as máscaras que jogue a primeira pedra? Cuidado para não se machucar!  E como por acaso, numa faxina qualquer, quase dez anos depois,  eis  “A cabana” de William Young à minha frente. Dessa vez  não escaparia, iria entrar naquela cabana e conferir o que tinha lá dentro. A pedido do autor, não farei um resumo, usarei  à meu modo, parte do que foi revelado na capa…

Uma história de superação incrível, Mack vai acampar com suas filhas, e a mais nova chamada Missy desaparece, e numa cabana isolada a polícia encontra a roupa da garota com sangue, levando a dedução que foi violentada por um maníaco. Fato que transformou a vida de toda a família de Mack, pois a fatalidade passou a ser vista pela família como Grande Tristeza.  E depois de quatro anos do acontecido, Mack recebe um bilhete para voltar  à cabana, um convite inusitado e assinado por “Papai”, deixando-lhe mais intrigado, pois o seu pai já havia morrido.  E ele, mesmo sabendo que seria uma tarefa árdua, entrar naquele espaço de dor,  dá o salto para a libertação e vai ao encontro do Pai. Um salto de coragem.  Afinal, quem está disposto a se tornar amigo de Deus?

Hoje, entendo porque a minha amiga não deixou nenhum bilhete, ela talvez, queria me mostrar que apesar da dor que havia passado naquela cidade,  estava curada,  teve coragem de voltar à sua cabana,  provavelmente, encontrou-se  também com Papai, Jesus e a Sorayu, os três que curaram as feridas de Mack.  Cada qual faz o uso da cabana conforme as necessidades, uns  entram nela para fugir do problema, enquanto outros é numa cabana que se encontram e dividem as experiências mais incríveis.

Quando disse que o livro não mudou o meu pensamento em relação a Deus, é  porque vejo também Deus nas pequenas coisas, tornando-as grandes para mim.  A minha cabana não está localizada num local ermo, entrei-a quando vi um ente querido num leito de  hospital entre a morte e a morte.  Mas o Pai  escolheu a vida.   E foi realmente o começo dessa parceria, cumplicidade, amizade.

Quem é Deus?  Não foi um choque vê-lo na “cabana de Mack” em forma de uma mulher negra, Deus é Deus! Ele aparece como e quando quiser. Não importa a forma contanto que Ele seja a representação do bem. É um livro interessante, sim, sempre bom conhecer histórias inspiradoras que nos colocam diante do espelho.   Afinal sabemos que não adianta alimentarmos  vingança,   ódio, ressentimento,  mágoa… esses sentimentos ruins nos fazem distanciar do caminho do bem.  Mack deixa-nos essa lição. Ele chorou bastante ao refletir sobre Grande Tristeza que se abateu sobre sua família, mas quando optou viver em paz saindo da cabana, a sua dor tornou-se enredo da ficção e quem sabe inspirar outras pessoas a buscarem o caminho do bem em suas próprias cabanas.

“Eu”

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2 respostas para Eu e A cabana (crônica)

  1. eliane almeida disse:

    muito interessante essa cronica…gostei mesmooo…o livro realmente é muito bomm

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