Grande Sertão: veredas (marcas do sertão 3.5)

João Guimarães Rosa(1908 – 1967) mineiro de  Cordisburgo, deu à literatura brasileira uma obra considerada pela crítica, perfeita, diferente e inovadora. Publicada em 1956, “Grande Sertão: veredas”  é peculiar no trato com o sertão e na sua dimensão, o livro não é dividido em capítulos, apesar de ter mais de 600 páginas.  E a história é narrada por Riobaldo, um ex- jagunço que após inúmeras mortes cometidas devido a antiga profissão,  faz um relato da sua trajetória na época em que atuava como jagunço e consequentemente, uma reflexão sobre a sua própria vida.

Entre as muitas histórias rememoradas por Riobaldo, ele fala da sua amizade com outro jagunço, e como os dois jagunços se conheceram. Riobaldo que pertencia ao bando de Zé Bebelo e Reinaldo um jagunço diferente dos demais,   lutava pelo bando de Joca Ramiro, em lados opostos nasce uma linda e tumultuada história de amor, repressão  e dor.  E nesse embate entre Zé Bebelo e Joca Ramiro na grande luta pela disputa de poder, Joca Ramiro leva a melhor, tinha o apoio da lei,  restando para Zé Bebelo a prisão e em seguida a expulsão do lugar. Porém daquele conflito surge a grande amizade entre os dois jagunços, Riobaldo e Reinaldo que assume o apelido de “Diadorim” que se unem a novo bando.

Riobaldo em sua narrativa deixava claro que o seu amigo Reinaldo era um jagunço diferente, pois possuía a delicadeza que os jagunços não tinham, despertando nele, um cabra macho do sertão o desejo de protegê-lo.  E aquilo o incomodava, pois nunca havia passado por situação igual. Para esquecer aquele incômodo da atração  sexual  pelo amigo,  Riobaldo buscava o prazer nos braços das muitas mulheres.  No entanto,  era desagradável o desejo que sentia por Reinaldo, logo ele, um jagunço durão, tinha certeza de que não era homossexual, mas Reinaldo o tirava do sério. Riobaldo estava apaixonado por Reinaldo, tratado como ” Diadorim”, ele não queria nem pensar no falatório que isso poderia gerar se desconfiassem dos seus sentimentos. Ele teria que mantê-lo bem escondido, e era isso que ele fazia, às vezes a ponto de ser agressivo com Diadorim.

Joca Ramiro foi assassinado e novas brigas se desencadeiam no sertão. Grupos de jagunços tentando vingar-se a morte do patrão. E dessa vez Riobaldo assume a liderança de um bando de jagunços, com a identidade de Urutu-Branco,  na tentativa de capturar o responsável pela morte de Joca Ramiro, e claro, ficar mais perto do jagunço Reinaldo/Diadorim.  E em parceria do amigo lutam bastante, quando encontra o bando liderado por Hermógenes, grande responsável pela morte de Joca Ramiro.  Nessa briga sangrenta, Reinaldo e Hermógenes se enfrentam e os dois morrem, fato que deixou Riobaldo desolado a perda do amigo/amor proibido.  No entanto, uma surpresa o aguardava: Ao cuidar do funeral, Riobaldo fez questão de arrumar o morto, ao tirar a roupa de Reinaldo percebe que ele era na verdade uma mulher,  a filha de Joca Ramiro que lutava para vingar a morte do pai, sendo o seu nome Maria Deodorina da Fé.

Dois sentimentos se cruzam com a grande descoberta. Riobaldo sentiu-se aliviado por  não ser homossexual e ao mesmo tempo  sofre a perda do seu grande amor.  E aquele ex-jagunço que muito já vivera,  até achara que fizera pacto com o diabo, mas ao refletir o percurso percorrido, observa que não havia pacto,  e a frente o que tinha era   “travessia”.

Por que não deixara seu coração falar mais alto? Por que não viveu o amor que sentira por Diadorim?  Nos “grandes sertões ”  luta, morte, emboscada, traição  existem, mas há também uma linda e comovente história  de amor.

Toque Poético

Mais uma contribuição do toque poético que traz as marcas do sertão

1.5 –  Fogo morto – José Lins do Rego

2.5 – Morte e Vida Severina – João Cabral de Melo Neto

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