Boas Práticas do “Toque Poético” geram certificado…

Eis mais uma certificação!

Falar o quê? O TOQUE POÉTICO está no ar há quatro anos e já caiu na boca do povo. Quem pretende conhecer a literatura baiana, procura-nos. Quem pretende divulgar texto autoral, procura-nos.  Quem pretende se atualizar, procura-nos. Quem pretende inovar as práticas pedagógicas, procura-nos.  Ah, quem pretende ser aprovado no vestibular da UNEB, é aqui que encontra os resumos, resenhas, comentários e críticas dos livros solicitados.

O nosso trabalho em rede tem um foco: LITERATURA.  A literatura  que a Bahia produz,  e os textos de estudantes da educação básica, com certeza, vem modificando o olhar dos estudantes para o uso das tecnologias digitais.  Cada vez mais, os celulares, smartphones estão sendo usados para leitura de texto literário, assim como aumenta consideravelmente o número de estudantes iaçuenses que usam sites literários como “autores aprendizes”, conquista nossa, luta de anos…  E este ano de 2017 fizemos um trabalho intenso para combater o bullying  na escola, são muitos vídeos produzidos pelos estudantes. E o resultado?  Vocês que nos acompanham sabem…Nosso lucro é a aprendizagem significativa,  a troca de informação e  satisfação do dever cumprido.

Mas, gratificante mesmo, foi ver a atuação de um estudante portador de necessidade especial(surdo), atuando como protagonista na peça teatral “ O santo e a porca” de Ariano Suassuna.  Acho que no dia da apresentação, recebemos o grande prêmio de boas práticas pedagógicas,  afinal, nunca tínhamos vistos um “santo” tão feliz e risonho quanto aquele.

  Toque Poético

Anúncios
Publicado em Uncategorized | 4 Comentários

Helena Parente Cunha ( oficina: cem mentiras de verdade)

Esta manhã de quinta feira(09/11) tivemos um “encontro” com a grande escritora baiana Helena Parente Cunha. É isso mesmo, hora de aprofundar  nos  microcontos da nossa gente. E o livro escolhido foi “CEM MENTIRAS DE VERDADE”  e os estudantes do 3ª. Série do Ensino Médio do Colégio Estadual Lauro Farani  tiveram oportunidade ímpar: conhecer, ler, discutir, comentar e reescrever textos dessa autora.

Foi uma manhã produtiva, pois foram onze microcontos em foco, com abordagens diversas que vão da pedofilia, violência contra a mulher, estereótipos, abandono familiar, brigas conjugais entre outros.  Os estudantes ficaram bem a vontade ao comentar a literatura contemporânea  e após as discussões,  grupos foram formados  para as reescritas  dos textos em diferentes gêneros.

E o resultado é sempre surpreendente.  Vejam os microcontos trabalhados: Moderninha, Mônica, Tesão, Acordo, A solteirona, A enjeitada, Assalto, Os botões, Timidamente, Seca e Vingança. E as leituras não param, e os estudantes mostraram porque estão cursando o último ano da educação básica e fazem a diferença, por isso merecem o nosso toque poético. Isso porque conscientes, sabem que só através das leituras poderão avançar cada vez mais… e  surgem as reescritas dinâmicas:

 

Texto 1:  Os botões

Duas belas meninas

Dois botões a se abrir

Esperar, esperança, EXPECTATIVA.

 

As duas crianças em conversa

Ah, é certo, segredos à beça

E bem lá no meio da conversa

Mistério do mundo, da vida

Quer saber de uma coisa?

E sabe que fiquei sabendo?

 

Lá vem você falar de Seu Anselmo

Que não gosta do pobre velho

Velho de sôfregas mãos.

 

Seu Anselmo, sôfregas mãos

Gosta de apalpar os peitos dela

Logo quis meter a mão por debaixo da blusa.

 

E o que você fez?

Eu saí correndo

Passarinho arfante, bichinho assustado.

 

Alguém ouve  no encoberto

Desabotoa a blusa

E logo procura seu Anselmo.

 

Pobre menina

Enigma da vida

Dois botões que ainda nem estão abertos.

 

Texto 2: Timidamente

 

Do norte e sul

Ele é fiscal de produtos federais

Seu serviço é de mudança

E agora é transferido para Goiás.

 

Após tantas interrogações,

Mesmo acostumada aqui

Dona Filhinha timidamente,

Onde  meu marido for estarei a sorrir.

 

Olhos para baixo

Um cafezinho é servido

Voltou para a cozinha,

Enxugando os insabidos olhos com o vestido.

Texto 3: Moderninha

 

texto 4: Mônica

Texto 5: Seca

Toque Poético

Publicado em Uncategorized | 1 Comentário

Ainda sobre a dissertação do Enem…

Não irei dissertar sobre o tema da redação do ENEM/2017, o nosso costume  é escrever antes,  para ajudar os nossos seguidores, não depois do ocorrido, se você acompanha o blog, sabe disso.  O que  motivou produzir esse texto foi simplesmente um vídeo postado num desses grupos de Whats App , na verdade um “desabafo” de uma professora surda, muito ofendida por conta das críticas de uma colega, também  professora, sobre o tema do ENEM.

Pela leitura rápida do conteúdo do vídeo, uma professora achou o tema “Desafios para formação educacional de surdos no Brasil” bastante específico, podendo prejudicar muitos candidatos de ensino médio que não estavam preparados para tal,  opinião que ofendeu a ex-aluna surda, autora o vídeo, também professora, que, através de cartazes, mostra a indignação e  acusa  a professora de nada ter feito para ajudá-la, quando tinha uma aluna surda na sala.  Sem querer tomar partido (tem como ser imparcial?) nessa discussão, mas…  Até que ponto um professor sem capacitação específica poderá ajudar um aluno com necessidade especial, como a deficiência auditiva, por exemplo?  Quem ouve a voz de um professor? E as inquietações continuam…

O que faço  de fato para incluir o surdo nas aulas de português ou nos shows dos “aulões preparatórios” que ocorrem nos estádios e auditórios às vésperas do Enem? Será que mais tarde eu também não serei acusada de não ter feito nada para que a inclusão aconteça? Bem, nunca aprendi a língua brasileira de sinais, mas não é fácil ensinar quando não estamos preparados nem para aprender com o outro.  Às vezes ensinamos, mas o outro não ouve, não vê,  não sente, nem percebe a nossa presença na sala…  Tive a oportunidade de conviver com uma criança adorável/adolescente com necessidade auditiva, era superação de limites diários na escola para entender a língua dos outros através da leitura labial.  Hoje é um grande profissional público federal, graças as políticas de cotas para deficientes. É um avanço.

Há dois meses escrevi  neste mesmo blog sobre o tema “Estudantes ensinam como a inclusão poderá sair do papel”, não quero ser repetitiva, mas como professora, confesso: ainda bem que  educação é troca mútua. Aprendemos juntos diariamente, porque não é fácil.  Eu e milhares de profissionais sensíveis a tantas necessidades no ramo da educação, buscamos caminhos, às vezes errando, acertando, caindo, levantando.

Aproxima-se o final do ano letivo, posso dizer com segurança, o meu aluno surdo tem nome e sobrenome,  eu o conheço além da sua deficiência e com certeza  ele também me conhece.   O abraço dos colegas foi fundamental para que ele se sentisse bem na sala de aula, mas nem sempre foi assim. No início do ano letivo  fomos “apresentados” através dos risos que o texto dele  provocou na turma, sinal  vermelho para mim! Tinha que fazer algo para que o texto dele não fosse mais visto como uma piada.  Ele pode não dominar a língua portuguesa, mas tem habilidades para o desenho que não tenho… E assim, no erro e acerto,  comunicamo-nos a nosso modo.

Sinto pela professora surda (foi dessa forma que o vídeo chegou até a mim) que não tenha encontrado quem a ajudasse ou motivasse a prosseguir para conquista de objetivos. Os desafios são grandes, mais o maior de todos é fazer com que nossos braços sejam descruzados e partamos para o abraço, e abraço é atitude! Acusar quem fez ou quem não fez,  acredito que não promoverá inclusão. Que tal refletir?  As minhas práticas(políticas, pedagógicas ou filosóficas) incluem ou excluem  o outro do processo educacional? Um portador de necessidade especial encontra em mim um(a) parceiro(a) ou mais um obstáculo a ser superado?  Se ficarmos nessa de jogar pedras em telhados alheios poderemos ficar  também desabrigados, e o pior, debaixo dos escombros.

Toque Poético

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

A festa dos ursos no Shopping Barra(conto)

Certo dia a Família Urso resolveu fazer uma grande festa. Com a proximidade do Natal, toda a família queria comemorar o aniversário do Urso Médio. O problema era que Urso Médio tinha muitos amigos e a casa não caberia. Onde receber tantos convidados?

Primeiro Urso Médio pensou em levar para o Campo Grande, mas logo uns primos que não gostavam de badalações dos trios elétricos ficaram contra.  Urso Menor deu a sugestão de levá-los para a Fonte Nova, mas Mamãe Ursa não gostou da sugestão, pois o barulho dos torcedores iria atrapalhar a festa. No Dique do Tororó  também não daria certo, pois  uns primos não aceitaram… E Urso Médio já estava ficando irritado, até que deu a palavra final:

– Minha festa será no Shopping Barra! E que não gostou não vá!

 

Ursa Maior queria discordar, mas diante da fala do aniversariante… só disse:

– Excelente! Estarei lá…

No entanto, Urso Médio nem deixou Ursa Maior terminar  a frase e  esclareceu como seria a festa. Ele disse que cada um teria que ir para doar o seu melhor. E não queria ninguém parado, tudo para animar as pessoas que estivessem  no Shopping no dia da festa.  Quem soubesse tocar, tocaria, quem soubesse dançar, dançaria, quem soubesse cozinhar, também cozinharia… E quem soubesse escrever… E agora? Qual era o urso que escreveria?  E mais uma confusão começou se formar…  Mamãe ursa interrompeu:

_ Meu filho, nenhum dos seus primos sabe escrever! Festa não precisa de escritor!

– Mamãe, o Shopping Barra precisa, sim! Lá farei a minha festa e quero tudo registrado…

– Então deixe o seu irmão escrever…

_ Não! Urso Menor escreve “casa” com “Z”,   “amor” com “Ô”…

– Você não entendeu? O importante é a comunicação ser passada…

– Ah… Fale isso para a banca de examinadores, mamãe! Escreva dessa forma no ENEM… Quem irá escrever sobre a minha festa?

Era chegado o momento da festa, alguns ursos se lambuzando no mel, outros dançando, cozinhando, outros cantando, nenhum urso ficava parado, trabalhavam e se divertiam com a animação das crianças e adultos. Urso Médio estava super feliz.  Todos fizerem questão de abraçá-lo e dizer palavras carinhosas.  A festa foi um sucesso!

  

No final da festa, Urso Médio estava com um presente bem grande no colo. Os outros ursos a sua volta queriam saber o conteúdo, e quem levou aquele presente… Todos curiosos. E Urso Médio disse algo que marcou a vida de todos os presentes:

– Vocês querem saber o que tem aqui dentro?  Vocês querem saber quem me enviou isso?  Meus amigos,  essa curiosidade eu não tenho, porque aqui dentro não tem o que eu queria e que todos precisam. Vocês  me derem os melhores presentes: o abraço, o carinho, o respeito e a presença de vocês. Como seria uma festa de aniversário se todos enviassem o presente? A minha festa foi um sucesso por que vocês estão aqui, eu ganhei de vocês a melhor parte.  Natal está chegando, deem  aos seus amigos o melhor de si. Presente? Se o presente é o melhor que tens a oferecer…

E os amigos ursos se abraçaram felizes e cantaram para alegria das crianças.  Urso Médio não sabia  que à distância estava sendo observado por uma abelhinha escritora em visita ao Shopping Barra.

                               

Elisabeth Amorim*

 

*Escritora baiana que por onde passa deixa o seu “toque poético”.

 

 

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Por que matou Zik? ( crônica)

Qual é mesmo a diferença entre autor e personagem criada por ele?  É muito comum o leitor, telespectador incorporar  a vida de uma personagem de tal maneira a ponto de  sentir a dor e até reagir contra o autor ou ator causador daquele sentimento.  E a ficção  torna-se realidade inventada, porém, questionada.

Numa dessas conversas informais entre o meu lado escritora e leitores mirins, geralmente a pergunta que não se cala na boca dos pequeninos: “ – Tia Beth,  por que a senhora matou Zik?” Caro leitor, vale lembrar que o “Zik” é  um dos protagonistas do infantil “Zik e Moka: dois sapinhos diferentes”. um sapinho inofensivo, cadeirante, e muito legal que passa por algumas exclusões antes de ser atropelado por um pavão numa faixa de pedestre. Lembrando também, que o infantil é de autoria de Elisabeth Amorim, não da “tia Beth”.

Resolvi entrar no clima da criançada, fui preparada para responder. Dessa vez as crianças não vão me encostar contra a parede. Não vou assumir uma culpa que não é minha. Por acaso eu tenho cara de pavão? Vocês filmaram eu matando Zik?  Alguém anotou a placa do meu carro na hora do acidente?

Chega o momento crucial. Crianças à bordo, perguntas sorteadas, mais uma vez rio antecipando o prazer da minha resposta… Com certeza seria a pergunta que todas as crianças leitoras do infantil fazem. Eis a bomba:

– Escritora, nós sabemos que não foi a senhora que matou Zik, mas quem matou foi um pavão, personagem criado pela senhora. A  minha pergunta é …  Quem é o pavão na nossa sociedade?

Tia Beth engasgou… Mas, a escritora que habita nela, por alguns segundos se vê naquela criança, sorrindo, responde  com uma outra pergunta, dessa vez provocando riso geral:

“_ Por que  não corri atrás do pavão para pedir a identidade?”

Brincadeira à parte, claro que a pergunta foi respondida com precisão e descontração para atender o público ouvinte.  A criança estava certíssima e ela fez exatamente o que eu fazia quando tinha a mesma idade, e que todos leitores deveriam fazer.

E para você, quem a Cinderela na sociedade atual? Gata Borralheira? Branca de Neve?  Quem é o Pinóquio? Quem é o Ali Babá e os quarenta… terminou o intervalo, fim de papo infantil.

Elisabeth Amorim

Publicado em Uncategorized | 1 Comentário

Zumbi (soneto)

Grande líder quilombola

Negro de grande valor

Nasceu livre, tornou-se guerreiro

E pela liberdade do seu povo lutou.

 

Era Francisco o seu nome

Para o padre que o criou.

Aos 15 anos fugiu da doutrina cristã

Em Zumbi se transformou.

 

Acordo com a Coroa? Nem pensar!

Não aceitou liberdade pela metade.

Era voz da Consciência Negra a entoar.

 

E a Serra da Barriga  conheceu.

O herói  da  abolição da escravatura

Duende? Fantasma? Traído e degolado…renasceu.

E. Amorim

Publicado em Uncategorized | 1 Comentário

Café, Poesias e “Fulôs” (crônica)

Café e Poesias – 3CM

“ Ó Fulô! Ó Fulô! Cadê o meu lenço de renda… Ah, foi você que roubou!”  apenas alguns versos condensados de “Essa Negra Fulô”, poesia do alagoano Jorge de Lima( 1893 – 1953) que  representa um ícone da literatura nordestina brasileira. A poesia  modernista, de linguagem coloquial,  traz a voz  da Sinhá, mulher branca que humilha e despreza  Fulô por ser uma “negra bonitinha” que apareceu no “banguê do avô”  e “que ficou logo pra mucama”.

Quem é a “Fulô” de Jorge de Lima?  Fulô nada mais é que uma representação  da mulher negra, escravizada num  país racista, onde a cor da pele vale mais que o caráter.  “Fulô” é uma escrava que recebe olhares diferentes dos patrões, enquanto a Sinhá a via  como uma “negrinha”  que roubava seus pertences    e   “assediava” o seu esposo,   já o sinhô  explorava física e sexualmente.   A “Fulô” é a mulher açoitada, abusada diariamente,  uma mulher-objeto, sofrida como tantas outras que existem e não conseguem reagir. Mulheres negras que aceitam a dominação e violências dos patrões  no silêncio dos  “quartinhos do fundo” das  senzalas modernas.  Até quando?

Quantas “Fulôs” dizem não  ao racismo?  Quantas mulheres negras  não aceitam a sentença imposta por conta de uma cor?   Não foi por acaso que o  professor-poeta negro da cidade de Rosário do Sul(RS)  Oliveira Silveira( 1941-2009) deu a resposta  para “Essa Negra Fulô”. E  a sua  poesia “Outra Negra Fulô”  funciona como um “Pare de racismo!”

A “Outra negra Fulô” traz a  representação  de mulheres negras que não aceitam as acusações  por conta da cor da pele.     A “Outra Negra Fulô” não se  silencia diante das acusações das Sinhás, ela grita  alto.  A “Outra negra Fulô”  não aceita o assédio dos patrões.  E se preciso for ela  mata e  foge para não ser mais um objeto sexual de ninguém.  A “Outra Negra Fulô”  se deita  com quem ela quiser. É dona do próprio corpo.

Bem, falar do racismo através das poesias foi a nossa proposta para o “Café e poesias”  com a turma 3CM do Colégio Estadual Lauro Farani.   Racismo é  um tema difícil de ser discutido, pois há tantos olhares diferenciados,  frutos da cultura, educação e leituras.  E sem dúvida é uma discussão que não se esgota, ainda em pleno século XXI as violências contra as mulheres negras e homens negros  persistem.  E o nosso trabalho é incansável, e propomos leituras & releituras, e quando possível a reflexão: “ E se fosse comigo seria uma bobagem ou racismo?”

Infelizmente, o racismo está impregnado na cultura do nosso país. Já vem da raiz, desde a colonização quando os brancos colonizadores europeus  não aceitaram a cultura indígena  aqui encontrada, nem a cultura dos escravos oriundos de países africanos.  Modificar um pensamento antigo e eurocêntrico  é uma tarefa árdua, mas fazemos o nosso papel.  Muitas  “Negras Fulôs” convivem com a triste realidade  de rótulos,  açoites e  assédios.  Ah,  ainda bem que a companheira “Outra Negra Fulô” tem a resposta   que muitos “sinhôs” precisam ouvir:  “ A nega em vez de se deitar/ Pegou um pau e sampou/ Nas guampas do sinhô.”

E os alunos degustaram um delicioso  CAFÉ & POESIAS.

Toque Poético

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário