Ainda bem que existe o Natal…

Iaçu – Bahia

Vivemos numa sociedade tão individualista, tão comprometida consigo mesma, que precisava realmente de algo para frear essa busca desesperada pelo poder, ter, saber e consequentemente pelo esquecer.

Sim, cada vez mais a sociedade se esquece do seu próximo, porque é muito mais fácil abraçar o distante, mesmo virtualmente. Se o terremoto é lá longe, mobilizamos, fazemos campanha, choramos, doamos, compartilhamos a mesma dor… E simplesmente, não enxergamos quem está próximo da gente. Tropeçamos diariamente com mendigos, desempregados, famintos, catadores de papelão e fugimos com um pedido de desculpa qualquer.   Sabe por quê?

É chique divulgar aquilo que quase todos fazem, não é?  Mas o Natal é uma data que chega todo ano, e pelo menos uma vez muitos se voltam para aquelas pessoas que estão debaixo dos viadutos ou melhor, debaixo do próprio nariz.  Naquele mesmo viaduto que você passa de carro diariamente com os vidros fechados. Ah, no Natal é o momento de notar aquele seu irmãozinho que vive dos lixões, porque no Natal ele precisa comer um pouco melhor… E no Natal não pode se esquecer também daquele seu vizinho que perdeu um emprego há mais de um ano, coitado. E aquele seu colega que a empresa não pagou os vencimentos? Você nem atendeu o celular que descobriu quem era, estava com pressa…  Infelizmente, na sua correria você nunca se preocupou se ele precisa de alguma coisa ou apenas de um abraço.  Infelizmente, ele não é o único. Aliás, eles não são os únicos que precisam de atenção, respeito, solidariedade, amor…

Sou a favor que o Natal seja estendido para 365 dias. Seria legal, não? Todos os dias do ano a sociedade se preocupar com o próximo. Todos os dias as famílias se lembrarem de abraçar uns aos outros, seja física ou espiritualmente.  Todos os dias os  colegas e amigos passarem  mensagem de “bom dia”, “ como você está?”  E todos os dias do ano os grandes empresários e políticos desenvolverem projetos visando o bem-estar social, só assim não teremos tantas pessoas em condições deploráveis, sedentos de um Papai Noel que venha lá do Polo Norte no seu trenó para distribuir migalhas sob os viadutos e desaparecer até o ano seguinte.

O Natal é o marco de uma nova era, uma era cristã. Não há cristianismo sem amor,  respeito, solidariedade e comunhão.  A data é marcada pelo nascimento de Jesus Cristo, mas se Jesus não nascer primeiro no coração de cada um, nada adiantará.  Natal Feliz é para aqueles que deixam o amor, o respeito, a solidariedade e a comunhão fazerem parte da sua trajetória nos 365 dias. Amor porque é o maior e mais nobre dos sentimentos; respeito porque só quem respeita ao próximo é verdadeiro cristão;  solidariedade porque temos que fazer o bem em todos os momentos, independente da época do ano; comunhão porque precisamos uns dos outros para sermos felizes.  Reflita nas lições deixadas pelo Grande Mestre aniversariante do Natal: Jesus Cristo.

                                         E. Amorim

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Natal, Natal…(poesia)

Sonhar?  Faz mal não…

É Natal! É Natal!

Cheio de luzes e cores

Mexendo com a imaginação.

Asas gigantes se abrem a mil

De repente… ficamos sem chão

No Carrossel do Natal

Como num passe de mágica

Pluf! Você deixa o Brasil.

Não precisa de avião,

Nem bagagem alguma carregar.

A Torre Eiffel

Está a um palmo da  mão.

Feche os olhos lentamente,

Entre no mundo da fantasia

E deixe a imaginação voar.

O Espírito Natalino sumiu

Deixou o Espírito Consumista no lugar

O sagrado se profanou

Que nem para o dono da festa

Um convite sobrou.

Natal, Natal…

Que linda é tua festa

A comunhão entre os povos

Família em união

Entre as trocas de presentes

Ceias para confraternização

Mas antes de apagar as velinhas

E cantar  “Parabéns a você”

É preciso fazer uma oração.

Pelas crianças carentes

De carinho e pão.

Um abraço e ação solidária

Mudam  uma nação.

Natal, Natal…

Que a Estrela Maior brilhe sempre

Em nosso coração.

                         Elisabeth Amorim

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Que o seu Natal…(mensagem)

Elisabeth Amorim (escritora)

Seja mais que um momento de reflexão…
Sobre as coisas realizadas e adiadas para dia, mês ou ano seguinte.
Seja realmente, um natal de transformação.
O que mudou em você  ou o que  você conseguiu mudar com suas atitudes?
Desejar a transformação  do outro não basta.  Dê o primeiro passo.
Se houve mágoa, lembre-se de que o perdão existe.
Se houve choro um dia, a alegria poderá ser mais duradoura.
Se houve cansaço, o descanso é necessário.
Se houve angústia,  aquiete-se o coração,  porque a esperança não morre.
E Natal é mais que uma data.  É a esperança de uma festa da união, solidariedade.
Onde ricos, pobres, brancos, negros, índios possam viver em paz.
Independentes das religiões,  partidos políticos e cores assumidas.
Para que a Paz invada o planeta e cesse todas guerras.
Internas e externas.
Um homem em paz transforma um lar.
Um lar em paz produz filhos saudáveis que modificam um bairro.
Um bairro em paz chama a atenção da cidade.
Uma cidade em paz é cartão postal do estado.
Um estado de paz  é BÊNÇÃO.
Bênção é individual,
Intransferível.
Que o seu Natal seja de bênção.
Paz!
 E. Amorim
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Natal das Renas Douradas (conto)

Natal das renas douradas – E. Amorim

Naquele natal tudo parecia sob controle, apesar da grande crise econômica que alastrou no país, nada que uma Black Friday não resolva. Até o bom velhinho já cansado de  percorrer o mundo no seu trenó puxada pelas famosas renas recebeu um convite especial:  Vir à Bahia  passar o natal.

– Como viajar para tão longe?  –  Era o questionamento do velhinho barbudo. A Bahia é  quente, será que poderia ir com uma sunga  para aproveitar as praias…

-Nem pensar! Papai Noel que se preze tem que usar roupas vermelhas, botas pretas, gorro e usar como transporte um trenó… Até aí tudo bem, mas como levar as renas para um local tão quente? Elas não iriam resistir…

Pensa  daqui e pensa de lá, sem se chegar a nenhuma alternativa, a não ser a certeza de que as renas não aguentariam o calor baiano. Até uma ideia surgiu:

 – Que tal pintarmos as renas de dourado? Assim, elas não sentiriam tanto calor…

_ Perfeito! Vamos pintá-las.

Natal das renas douradas – E. Amorim

*

E derramaram vários potes de tinta dourada sobre as renas e elas ficaram diferentes, pareciam feitas de ouro. Surgiu um medo inicial, se pensasse que suas  renas fossem  de ouro e carregassem para bem longe… No início o cheiro da tinta incomodava, mas elas logo se acostumaram…

Só quem não gostou muito foi o bom velhinho, pois as renas douradas eram muito procuradas para as fotos, enquanto o Papai Noel quase não foi lembrado pelas crianças e adultos.  E aquele natal ficou muito conhecido como “Natal das Renas Douradas”.

                                                                       Elisabeth Amorim

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Pedalando para uma vida feliz ( mensagem cristã)

Senhor,

Muito temos a te agradecer e pouco a te pedir. Mas, no nosso egoísmo, pedimos sempre mais de que merecemos e agradecemos menos ainda. Oh, como somos eternos pidões, quando deveríamos ser gratos pela tua grandeza, bondade e misericórdia. Gratos pelo sol, estrelas, água, fogo, vento, terra, vida, natureza… Enxergamos nossos benefícios tão pouco, não?  Enquanto os problemas, temos a capacidade de aumentá-los…

Que quero ganhar no Natal? O que quero  no Ano Novo? Poucos  se questionam sobre o que irão oferecer para o outro no natal ou no ano novo, mas sempre é o querer, o desejar algo de alguém. E aqui estamos nós, o que queremos e o que merecemos ganhar no natal? E o que temos a oferecer aos nossos leitores?

Assistindo a um canal qualquer de TV, eis o apelo natalino: “Mande o seu e-mail e faça o seu pedido, nós realizamos os  seus sonhos”.  A primeira reação é pegar um bloco e começar a rabiscar: eu quero… eu quero… eu quero… Stop! Querer não é poder!  Eu posso ser feliz sem precisar encher uma página de pedidos para que outros realizem por mim.  Porque a maior riqueza é a paz, uma pessoa em paz é feliz, e o mundo precisa apenas de PAZ para ser feliz.  Quero  semear a paz por onde passar! Quero e posso desejar a paz do Oriente Médio, mesmo sabendo que essa paz precisa ser buscada dentro de cada um. As atitudes, opções, os valores, as culturas… são caminhos de conquistas. Vá em busca da sua paz, pedale se preciso for, mas não a deixe escapar.

Nem se preocupe se acham que a sua bicicleta velha não a levará a caminho algum. Persista, a felicidade está a sua frente, siga adiante e faça você a sua parte. Dezembro chegou!  Você está vencendo mais um ano. Dia 25 é a grande festa cristã, mas  o aniversariante não é você! Percebe como o consumismo mudou toda uma tradição religiosa? Jesus Cristo é o dono da festa,  e Ele não quer o seu presente, mas um coração grato, bondoso, solidário… Podemos abrir a janela  e enxergar  e alimentar o que nos dá esperança  para  2018 ou simplesmente fechar as cortinas por conta da poluição… Percebe? São opções notar o belo ou o feio que não está do outro lado da vidraça, mas dentro de cada um.

Mas o nosso Toque Poético respeita todas as opções de vida e deseja aos nossos leitores do mundo inteiro (este ano invadimos todos os continentes), muito mais que um Natal feliz, mas uma VIDA FELIZ ou seja,  uma  VIDA DE PAZ.

                                   Toque Poético

 

 

 

 

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A floresta encantada (conto)

 De repente acordo do meu sono de Bela Adormecida, não havia príncipe algum ao meu lado. Apenas um papelão que servia de cama debaixo do meu castelo, não sei porque as pessoas insistem em chamá-lo de viaduto. A voz do povo nem sempre é voz de Deus, era o que pensava Malina.

Sim, escureceu rápido na grande Salvador.  Muitas nuvens carregadas sobre as nossas cabeças, olhando bem… vejo também muitas luzes piscando…   Vou segui-las. Não que eu acredite que lá encontrarei Papai Noel, isso é coisa de criança criada em shopping, menino de rua não tem nada disso na cabeça. Mas o sonho uma vez no ano faz tão bem… Os adultos não acreditam na Black Friday e correm alucinados para comprar um produto sem olhar o preço?

          Sinto-me perdida nessa Floresta de Luzes, parece encantada. Eu gosto de quebrar os encantos, desencantar-me.  Sigo em direção as luzes que brilham. De repente, percebo que estava completamente enfeitiçada.  Não tinha jeito, comecei a gostar do sonho, era algo tão raro em minha vida,  talvez sem me dar conta já estava na porta de um shopping.

          Realmente, a Floresta Encantada exibe uma bela vista. Toda floresta tem lobo mau? E se um lobo me atacasse naquele momento?  Nas mãos apenas um pequeno spray de pimenta, não iria intimidá-lo por muito tempo. Eu, magrinha, facilmente, o frasco iria para o lixo.  Ouço as vozes vinda lá de dentro do shopping, vez ou outra escapa algum cheirinho da comida, talvez, para me lembrar que não fiz nenhuma refeição naquele dia.  Mas, começo a fazer jus ao meu nome, vou malinar à vontade… Entro saltitante naquele castelo de sonhos infantis: árvore de natal, bolinhas coloridas, muitas luzes, trenós e animais exóticos… Papai Noel!?  Ele existe de verdade!

          Não precisei andar muito. Logo a frente um coral com Papai Noel, muita gente  a filmar aquelas crianças a sua volta. Tentava me aproximar, mas era invisível e impossível. Ninguém me filmava, nem notaram a minha presença.  Era tanto brilho, tantas cores, que  a minha cor fosca não serviu para nada.  Ofuscaram-me, com certeza.

          No entanto, algo me chamou a atenção… Estavam cantando “ Noite Feliz”, finalmente eu iria entender o sentido do Natal.  Claro, não iria dizer aos meus colegas de infortúnio  a minha aventura. Mesmo porque eles não  acreditariam.  Muitos afirmam que Papai Noel não existe.

          Mas eu juro. Eu vi Papai Noel. Ele passou pertinho de mim… Ele também não me viu. Não adiantava eu me sentar ao lado dele se eu não tinha um celular para registar o momento. E se eu tivesse um celular teria que criar uma conta no facebook para mostrar aos meus amigos virtuais e cobrá-los as curtidas e comentários nas minhas postagens.  E se comentassem sobre as minhas roupas velhas? E se falassem do meu cabelo sujo?  E se me criticassem… E se me ignorassem… E se me perguntassem…

  – Malina, o que fazes no shopping?

          Gente, as relações pessoais são complicadas!  Eu teria que dar satisfação da minha vida para o mundo só por causa de um abraço de Papai Noel… Acho melhor  voltar para  o meu castelo, lá tudo é real.

                                   Elisabeth Amorim/ Salvador, Ba, nov. 2017

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De “Nóis mudemo” a “Quincas Berro D’água”

Ensino Médio – 3CM

Iniciamos o ano letivo usando o texto “Nóis mudemo” de Fidêncio Bogo , por sinal uma das postagens mais procuradas do ano em nosso Toque Poético.   Se você acessou pela primeira vez, sente-se, deleite-se, pois irá gostar.  Aqui você encontra a literatura que falta em sua casa e  também na sua escola.

Final de ano se aproxima, você, professor, médico, empresário, gestor  já parou para refletir sobre a quantidade alunos/ pacientes/estagiários/funcionários que você matou esse ano? Calma, não estamos falando do crime passional, lembre-se de que você veio parar em um espaço literário, então não venha com “mimimi”,  o “matar” nesse contexto é anular, ignorar, intimidar, diminuir, expulsar… Passou o drama? Porque a professora do conto “Nois mudemo”  ao reencontrar-se com o seu ex-aluno Lúcio, popularmente chamado de “Nois mudemo” ela sentiu-se mal ao  refletir a própria prática pedagógica.  E você, como se sente ao término de um ano? O que foi mesmo que você plantou? Ou  o que você arrancou do seu caminho?

E de repente, “não mais que de repente” saímos de “Nois mudemo” que foi “assassinado” dentro da própria escola que ele buscou para a ascensão social,  e nos deparamos com o “Joaquim”, aliás com o “Quincas Berro D’água”, este expulso do próprio seio familiar por também ser “inadequado”. Antes que o leitor faça essa interrogação na testa, como se nada entendesse, entendendo tudinho… Voltemos pelo mesmo caminho… Como é fácil reprovar alguém, apontamos o dedo: – Aquele ali é gordo, é magro, é feio, é bonito, é rico, é pobre, é alto, é baixo, é branco, é negro, é alegre, é triste, é fraco, é forte… Difícil é dizer: – Aquele era fraco, mas eu ajudei a se levantar, eu lhe dei força. Difícil é dizer: Aquele era bruto, mas eu ajudei a lapidar, eu contribuir para sua transformação. E ato mais corajoso ainda: “- Aquele é forte e me ajudou nas minhas fraquezas…”

Com o “Quincas” foi assim,  quando a família o reprovou, os amigos da família fizeram o mesmo.  E as mortes foram acontecendo sucessivamente, Joaquim deixou de existir para a esposa, filha, amigos… Era um homem morto para muitos.   Talvez, já nos mataram tantas vezes,  mas enquanto resistimos e permanecemos vivos para outros, queremos viver bem. E uma das frases mais marcantes de Quincas é mais ou menos assim: “ … minha vida de morto é mais feliz e com mais vida do  que muitos vivos por aí”.  Quincas era um filósofo, não era?

“Quincas” não teve direito a um enterro, que tal enterrar tudo aquilo que prejudica, magoa, entristece? O ano letivo acabou, vire a página porque “nois mudemo” também a cada nascer do sol.

Toque Poético

 

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