Grande Sertão: veredas (marcas do sertão 3.5)

João Guimarães Rosa(1908 – 1967) mineiro de  Cordisburgo, deu à literatura brasileira uma obra considerada pela crítica, perfeita, diferente e inovadora. Publicada em 1956, “Grande Sertão: veredas”  é peculiar no trato com o sertão e na sua dimensão, o livro não é dividido em capítulos, apesar de ter mais de 600 páginas.  E a história é narrada por Riobaldo, um ex- jagunço que após inúmeras mortes cometidas devido a antiga profissão,  faz um relato da sua trajetória na época em que atuava como jagunço e consequentemente, uma reflexão sobre a sua própria vida.

Entre as muitas histórias rememoradas por Riobaldo, ele fala da sua amizade com outro jagunço, e como os dois jagunços se conheceram. Riobaldo que pertencia ao bando de Zé Bebelo e Reinaldo um jagunço diferente dos demais,   lutava pelo bando de Joca Ramiro, em lados opostos nasce uma linda e tumultuada história de amor, repressão  e dor.  E nesse embate entre Zé Bebelo e Joca Ramiro na grande luta pela disputa de poder, Joca Ramiro leva a melhor, tinha o apoio da lei,  restando para Zé Bebelo a prisão e em seguida a expulsão do lugar. Porém daquele conflito surge a grande amizade entre os dois jagunços, Riobaldo e Reinaldo que assume o apelido de “Diadorim” que se unem a novo bando.

Riobaldo em sua narrativa deixava claro que o seu amigo Reinaldo era um jagunço diferente, pois possuía a delicadeza que os jagunços não tinham, despertando nele, um cabra macho do sertão o desejo de protegê-lo.  E aquilo o incomodava, pois nunca havia passado por situação igual. Para esquecer aquele incômodo da atração  sexual  pelo amigo,  Riobaldo buscava o prazer nos braços das muitas mulheres.  No entanto,  era desagradável o desejo que sentia por Reinaldo, logo ele, um jagunço durão, tinha certeza de que não era homossexual, mas Reinaldo o tirava do sério. Riobaldo estava apaixonado por Reinaldo, tratado como ” Diadorim”, ele não queria nem pensar no falatório que isso poderia gerar se desconfiassem dos seus sentimentos. Ele teria que mantê-lo bem escondido, e era isso que ele fazia, às vezes a ponto de ser agressivo com Diadorim.

Joca Ramiro foi assassinado e novas brigas se desencadeiam no sertão. Grupos de jagunços tentando vingar-se a morte do patrão. E dessa vez Riobaldo assume a liderança de um bando de jagunços, com a identidade de Urutu-Branco,  na tentativa de capturar o responsável pela morte de Joca Ramiro, e claro, ficar mais perto do jagunço Reinaldo/Diadorim.  E em parceria do amigo lutam bastante, quando encontra o bando liderado por Hermógenes, grande responsável pela morte de Joca Ramiro.  Nessa briga sangrenta, Reinaldo e Hermógenes se enfrentam e os dois morrem, fato que deixou Riobaldo desolado a perda do amigo/amor proibido.  No entanto, uma surpresa o aguardava: Ao cuidar do funeral, Riobaldo fez questão de arrumar o morto, ao tirar a roupa de Reinaldo percebe que ele era na verdade uma mulher,  a filha de Joca Ramiro que lutava para vingar a morte do pai, sendo o seu nome Maria Deodorina da Fé.

Dois sentimentos se cruzam com a grande descoberta. Riobaldo sentiu-se aliviado por  não ser homossexual e ao mesmo tempo  sofre a perda do seu grande amor.  E aquele ex-jagunço que muito já vivera,  até achara que fizera pacto com o diabo, mas ao refletir o percurso percorrido, observa que não havia pacto,  e a frente o que tinha era   “travessia”.

Por que não deixara seu coração falar mais alto? Por que não viveu o amor que sentira por Diadorim?  Nos “grandes sertões ”  luta, morte, emboscada, traição  existem, mas há também uma linda e comovente história  de amor.

Toque Poético

Mais uma contribuição do toque poético que traz as marcas do sertão

1.5 –  Fogo morto – José Lins do Rego

2.5 – Morte e Vida Severina – João Cabral de Melo Neto

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Morte e vida severina (olhar nordestino 2.5)

    

João Cabral de Melo Neto (1920-1999) nasceu em Recife e faleceu no Rio de Janeiro,  grande nome da literatura brasileira regionalista, da geração modernista de 45. Linguagem perfeita, João Cabral está entre os melhores poetas brasileiros, preocupava-se com métrica, formalidade, sendo que o sertão nordestino com os problemas recorrentes da seca e miséria  são temas dos seus poemas.

“Morte e Vida Severina”(1956)  ´trata-se de uma peça de teatro em versos. Uma obra que chamou atenção desde o seu lançamento na década de 50  e desperta interesse até os dias atuais.  Vale lembrar que o autor considerou a sua peça como Auto de Natal Pernambucano, por conta do enredo ambientar-se em Pernambuco e a sequência de versos curtos muito se aproximar dos autos medievais. Lembrando que auto é  um gênero textual de caráter religioso, dramático escrito com a intenção de ser encenando. E esse auto com o drama dos  retirantes nordestinos é o mais encenado no Brasil.

Vejamos como o autor utiliza-se de versos prefeitos para apresentação inicial do personagem, justamente quando o retirante explica ao leitor quem é :

“… O meu nome é Severino

não tenho outro de pia.

Como há muitos Severinos

que é santo de romaria,

deram então a me chamar

Severino de Maria;

como há muitos Severinos

com  mães chamadas Maria

fiquei sendo o da Maria

do finado Zacarias.

Mas isso ainda diz pouco:

há muitos na freguesia

por causa de um coronel

que se chamou Zacarias

e que foi o mais antigo

senhor desta sesmaria.

Somos muitos Severinos

iguais em tudo na vida

na mesma cabeça grande

que a custo se equilibra

no mesmo ventre crescido

sobre as mesmas pernas finas,

e iguais também porque o sangue

que usamos tem pouca tinta…”

Severino se identifica muito bem em  falar a quantidade de outros Severinos com as mesmas características que ele, um retirante, que se desloca para tentar a sorte num local mais próspero,  perto do litoral, no entanto em cada canto que passava percebia o quanto o seu drama se parecia com os de outros que também anseiavam por dias melhores.

Em todo o percurso  a morte de retirantes como ele é uma constante, fato que ele chama “irmão de almas” quando encontra o enterro. Ao tentar se estabelecer num local, entristeceu com a morte do Rio Capiberibe, descobre que o seu oficio de lavrador não tinha  nenhuma serventia ali, mas ele teria que desempenhar a função de coveiro, rezador, algo ligado a morte. Pois no local era constante o conflito entre posseiros e latifundiários, e os “serverinos” morriam diariamente, não só de “morte matada  ou morte morrida” E Severino prossegue a sua viagem, desiste de pouso.

O ponto alto da peça é quando Severino chega à Recife ao descansar no muro do cemitério ele ouve a conversa entre dois coveiros,  indignados com a quantidade de retirantes que chegavam ali para dar trabalho para eles. Segundo eles, caminhavam tanto para morrer na cidade grande.  E o diálogo ouvido funciona como um golpe para Severino, pois decide ser mais um a se matar por conta das decepções.  E ao se dirigir para se jogar de uma ponte, surge José, o mestre carpina, para aconselhar a não interromper a vida.  E quando Severino pede apenas um motivo para não cometer o suicídio, o diálogo é interrompido pois havia nascido o filho de José.

Assim, diante da vida, mesmo miserável, explode a alegria. O nascimento supera todos os obstáculos. Pois uma nova vida, um novo acontecer, uma nova esperança brota daquele local.  Severino ao assistir o  espetáculo da vida, diante das pessoas que se alegraram com aquele nascimento, decide abraçá-la. E fica a mensagem desse grande escritor, mesmo diante das adversidades, vale a pena viver.

Toque Poético

 

Socializando cinco obras canônicas  sobre o nordeste.

olhar nordestino 1.5 – Fogo Morto – José Lins do Rego

 

 

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Fogo morto (olhar nordestino 1.5*)

O romance “ Fogo Morto”(1943) de JOSÉ LINS DO REGO,  escritor paraibano (1901-1957) traça um perfil de criaturas  decadentes com a desativação dos engenhos de cana-de-açúcar. Sendo a economia do nordeste sustentada pela produção de açúcar, com o declínio do Engenho Santa Fé,  morre não apenas  o fogo que alimentava o engenho, mas a esperança de prosperidade e melhorias para toda a região.

“Fogo Morto” é um livro emblemático, dividido em três partes, aparentemente,  independentes, mas que se complementam: “ O mestre José Amaro”,  “O engenho do Seu Lula” e a terceira “ Capitão Vitorino”.  Três nomes de personagens que protagonizam e em algumas situações antagonizam a narrativa de José Lins do Rego.  Quais as relações entre os três personagens?  Como esses personagens se constroem e desconstroem ao longo do romance?

Primeiro,  Mestre Zé Amaro, sapateiro do lugar ou “José Amaro” era considerado um ser esquisito, machista, morava à beira da estrada, numa casa que pertencia ao Luis Cezar de Holanda, o Lula, dono do Engenho Santa Fé.  Mestre Zé tinha hábitos estranhos e péssima relação com a esposa Sinhá e filha Marta, saia à noite, sempre sozinho.  Em alguns momentos, ele parecia odiar as mulheres que viviam sob o mesmo teto, principalmente a filha Marta, solteira,  constantemente agredida, a moça chorava com frequência, irritando-o mais ainda.   Mestre Zé era um ser temido do lugar:  o lobisomem, conforme a crendice do povo. Ao desentender-se  com o proprietário do Engenho Santa Rosa, decide não realizar nenhum serviço para ele(José Paulino). Consequentemente,  seu ato teve volta, as intrigas chegaram até o Lula, dono das terras onde Mestre Zé morava, e ele foi convidado a desocupar a casa. O seu destino é selado no final do romance, quando ele passa por humilhações públicas ao ser preso e apanhar do capitão Maurício,  não resiste e comete o suicídio no Engenho Santa Fé.

O segundo personagem mais emblemático ainda, é o Lula. Este por interesse se casa com a futura herdeira do Engenho Santa Fé, Amália.  E desde a morte do sogro, revela-se um ser desprezível, autoritário, ambicioso e egoísta.  E como a sogra D. Mariquinha não deixava Lula tomar as decisões pretendidas para não falir o engenho, ele se vingava através da filha “Nenem”, distanciando-a da avó.  Entre as numerosas brigas, com a morte de D. Mariquinha, o Engenho Santa Fé fica sob direção de Lula.  Prepotente, não deixa ninguém se aproximar da filha Nenem. Com a abolição da escravatura, nenhum escravo quis continuar no engenho devido  maltrato do senhor Lula.  Como a situação do Engenho Santa Fé era cada vez mais decadente, Dona Amália, vendia ovos, frangos às escondidas do esposo, mas só assim, conseguia o sustento da casa.

Já na terceira e última parte traz a história do Capitão Vitorino, espécie de visionário quixotesco muito querido do lugar, por defender os mais oprimidos. No entanto não escapava dos apelidos dos garotos, irritando toda vez que ouvia “Papa-rabo”.   Era o tipo que  falava o que sentia, desaforado, isto lhe custou uma surra do tenente Maurício, bem como a prisão.  Logo, teve quem intercedesse e pedisse que o soltasse. Fato que valia contar as glórias e ampliar a lenda favorável a sua pessoa.

Capitão Vitorino, apesar das suas esquisitices, era um dos personagens mais coerente e solidário da vila.  Ao saber da injustiça que o Mestre Amaro sofrera, foi o primeiro a se colocar à disposição, buscar apoio de jornal para denunciar a arbitrariedade do sistema. Mesmo que a sua ajuda custasse muitas humilhações públicas, mas o Capitão Vitorino não  se abaixava diante dos obstáculos, recorria a imprensa, a justiça, enfim, as autoridades locais  para tentar fazer parar as injustiças sociais.

     Toque Poético 

*Para divulgar a literatura produzida no nordeste e que traz o foco a questão regional, estaremos apresentando os cânones nordestinos.

 

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Água grande ( poesia)

Maria Eduarda Oliveira Azevedo*

A minha amada Iaçu

Meu poema de gratidão

Da terra onde nasci

Tenho muita recordação.

 

Sua beleza incontável

Me faz refletir

A beira das águas do Paraguaçu

Tudo que um dia vivi.

 

Em tempo de tristeza e solidão

Olhar para ti, traz alegria ao coração.

Você é minha riqueza

Fonte de inspiração.

Iaçu água grande

Porém de seca constante

O paradoxo entre ter ou não ter

Faz do teu povo migrante.

 

Vou andando, vou seguindo

Como bom homem que sou

Sem deixar para trás

Sua alegria e esplendor.

 

Todos que daqui saíram

Nunca perderam a esperança

De um dia voltar para sua terra

Com amor e confiança.

 

Encantado com sua beleza

Me faz parafrasear

Esses versos tão pequenos

Para te homenagear.

 

A tua proeza, Iaçu

Que me deixa tão assim

Apaixonado por você

Um amor que não tem fim.

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  • Estudante do Ensino Fundamental II da Escola Municipal Teotônio Pereira Coimbra.

 

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A revolução dos bichos (resumo)


O livro do socialista George Orwell( 1903 – 1950), pseudônimo do literato Eric Blair,  crítico ferrenho do capitalismo e comunismo,  “A Revolução dos bichos” foi publicado em 1945 na Inglaterra( Animal Farm) e 1964 no Brasil pela Editora Globo.  Desde então tornou-se também um best-seller nacional, além de referência mundial para todos aqueles que alimentam  o desejo de  justiça, liberdade e igualdade entre os homens. Como pode uma fábula fazer tanto sucesso?  De forma brilhante  Orwell relata o que acontece quando ocorre a traição de um ideal, para ele, homens e bichos tornam-se tão iguais, dificultando a identificação de um e de outro na ostensiva briga pelo poder.

O cenário é a “ Granja do Solar” de propriedade do perverso  Sr. Jones. Um verdadeiro tirano, visava apenas a lucro, para tal os animais eram maltratados, oprimidos e  explorados.  Até que um dia, um porco velho chamado de Major teve o sonho da liberdade,  justiça e igualdade para todos os animais da granja.  Convoca os animais e injeta o desejo de mudança. Os animais precisariam assumir algumas responsabilidades, dividindo as tarefas em iguais proporções e expulsar o Sr. Jones e família da granja, e definitivamente, evitarem qualquer contato com os humanos. Já que as relações de poder entre homens e animais são sempre desfavoráveis para o segundo.

E uma das primeiras coisas  que os animais aprenderam através de Major era não  imitar o Homem, mesmo que este fosse derrotado. Os bichos não deveriam morar em casa de homem, ter vícios, dormir em camas, usar roupas, beber álcool , fumar, ter dinheiro ou comercializar, porque os hábitos humanos eram maus e levariam à escravidão de outros para mantê-los.  E como incentivo,  Major ensina-lhes a canção “ Bichos da Inglaterra” convidando-lhes   lutar por seus direitos.  Semente havia sido plantada, pouco depois Major morre. E o desejo de transformação é alimentado cada vez mais, principalmente quando Sr. Jones chega bêbado e maltrata os animais… Rebelião no Estábulo acontece.

Sr. Jones e sua esposa foram expulsos pelos bichos a bicadas, mordidas e coices,  antes porém, os porcos Napoleão, Bola-de-Neve  e Garganta assumiram o comando da revolta, sendo que Bola-de-Neve, era o leitão mais inteligente, mas não desfrutava da mesma popularidade de Napoleão, por sinal, muito bom de papo.  Registraram os ensinamentos de Major na parede do celeiro como sete mandamentos para não esquecerem os princípios norteadores do animalismo por eles defendidos.

A “Granja do Solar”  tornara-se “ Granja dos Bichos” e diariamente as tarefas iam sendo divididas, sob uma  liderança compartilhada de Bola-de-Neve e Napoleão.  As reuniões eram regulares, entoada pela canção “Bichos da Inglaterra”, e a Granja dos Bichos começa a dar sinais positivos  sob essa nova direção. Continuavam firmes, sem desfrutar as mordomias que cabiam aos humanos. Até que Bola-de-Neve pensando no bem estar dos animais, sugere a construção de um moinho-de-vento  para gerar energia nos estábulos, e mais uma vez a decisão ficaria por conta da votação entre os bichos.  Napoleão votou contra, e as defesas e acusações aconteceram.  Ao perceber a derrota, acontece o inesperado, alguns cães treinados secretamente para a defesa pessoal de  Napoelão, com um gesto dele, ataca Bola-de-Neve e o expulsa da granja como subversivo e traidor.

E desde então todas as coisas negativas que ocorriam eram atribuídas a vingança de Bola-de-Neve. Este teve toda a sua história de luta apagada, para torná-lo  inimigo número  um da “Granja dos Bichos”. Vale lembrar que desde então, os mandamentos deixados na parede iam sendo gradativamente modificados por Napoleão. E os hábitos  dos porcos vão mudando, mudando, mudando… até andarem de duas patas.

Enquanto isso os bichos que tanto sonharam com a liberdade, igualdade e justiça eram  massacrados pelos próprios companheiros corruptos. Porcos que nada produziam eram quem mais lucravam. Vivendo na casa que fora de Sr. Jones, vestindo as roupas, bebendo, fumando, matando, comercializando e distorcendo as leis e direitos adquiridos em benefícios próprios.  Quando ameaçavam alguma revolta interna,  os cabeças eram degolados para servirem de exemplos. O terror tomou conta da granja, deixando os bichos cada vez mais apáticos, passivos e  medrosos. Até a canção “Bichos da Inglaterra” foi proibida de ser cantada, em seu lugar as poesias enaltecendo a competência de Napoleão e as medalhas e honrarias forjadas ganharam destaques. Lembrando que a primeira obra do seu governo foi a construção de  um moinho-de-vento. E nem adiantava  questionar o porquê, se esse fora o motivo da expulsão do “traidor” Bola-de-Neve. Napoleão nascera para ser político, convencia rapidamente seus companheiros. E a mentira na sua boca tornava-se verdade, consequentemente, mais aliados para aplaudi-lo.

Enfim, o livro apesar de tantas décadas passadas é incrivelmente atual.  É como se a fábula se renovasse a cada cenário e público leitor. Portanto, não foi por acaso que a liderança da  “Granja dos Bichos” cair nas patas de um porco e a aliança com os mais temíveis dos animais. Ah, essas alianças não permitiram mantê-la sem as influências externas, e a “Granja do Solar” renasce sem sonhos, nem liberdade, justiça ou algum resquício de igualdade, sabe por quê? Quando o sonho é compartilhado com quem nunca aprendeu a sonhar ocorre a traição de um ideal. E o autor fecha a sua fábula de forma brilhante:

“Doze vozes gritavam, cheias de ódio, e eram todas iguais. Não havia dúvida, agora,  quanto ao que sucedera à fisionomia dos porcos. As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco.” (George Orwell, 2000, Editora Globo, tradução de  Heitor Aquino Ferreira, p. 118)

 

                                              Toque Poético

Divulgando best-seller à pedido de um estudante de ensino médio

 

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Caminhos do bem (mensagem cristã)

O ser humano precisa aprender a trilhar os caminhos do bem.  Olhar para os montes e ter a resposta na ponta da língua: “O meu socorro virá do Senhor!” E quando  temos essa certeza, passamos a andar sem olhar para trás, porque a nossa frente só enxergamos o cenário que  Deus pintou exclusivamente para nós.

O caminho poderá ser longo, no asfalto não conseguimos enxergar o final, mas não é essa a nossa meta. Quem  aprende a fazer o bem, não se preocupa com a chegada imediata, mas caminhar na direção correta, sem atropelar ninguém, pois os caminhos  podem ser cruzados por qualquer um. O planeta terra é redondo, mas nossos pés não… Então não precisamos andar em círculo.

Às vezes somos nós, com as nossas fragilidades, fraquezas quem mais necessitamos de uma mão amiga. E que bom que Deus não escolhe ninguém pela cor da pele, religião, condição social nem popularidade nas redes sociais.  No silêncio nos encontramos, porque Deus é o caminho! Deus é a resposta que buscamos. Deus é paz!

E um dos exercícios matinais para trilhar no caminho do bem  é conversar com Deus durante todo o percurso. Fazer com que Ele nos alcance e faça uma varredura em nosso coração. Uma ação de despejo completa: Xô ressentimentos, mágoas, tristezas, lamentações. E que venha a paz invadir o nosso ser como os raios solares, queimando a pele, incomodando, inquietando e fazendo com que mudemos de posição, atitude, vida. E é dessa forma que a paz age. A paz de Deus é a única capaz de fazer essa revolução.

Quando o ser humano vive em paz não tem tempo para “mimimi”.  Em paz  crescemos de tal forma que nem nos preocupamos com as astúcias do inimigo para tentar nos paralisar.  E vou além, quando  optamos por trilhar no caminho do bem, sabe o que acontece? “ mil cairão a  direita, dez mil a esquerda, mas não seremos atingidos…” E essas palavras quem garante é aquele que tem poder para fazer cumpri-las. O nosso Redentor vive.

Dê uma chance a você mesmo, siga em frente, desarme-se das coisas negativas,  e vá em paz porque a Luz de Deus está em sua direção.

                                                Toque Poético

                               Dando um toque apenas para os cristãos leitores.

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Maior Feira de Livros do Centro-oeste e a exaltação da literatura estrangeira

 

Há quem diga que moramos num país que não há leitores, mas na verdade  faltam  investidores da nossa literatura. Infelizmente o livro é um produto caro quando não se tem o patrocínio e projetos que implementem e viabilizam a circulação. Qualquer autor brasileiro que assume a própria edição, paga um preço muito alto, pois é feito em “pequenas doses”, encarecendo mais ainda o produto. E uma feira  considerada a maior da região Centro-oeste  responde muito bem a minha inquietação.

Está acontecendo a “Maior Feira de Livros do Centro-oeste” no Pátio Brasil Shopping( Brasília-DF)   e a grande  novidade, exemplares vendidos por cinco reais ( clássicos do romantismo brasileiro)  e dez reais( literatura estrangeira). Ei, calma, esse valor é só para os bons! Bom autor é aquele que tem patrocínio.   Onde estão os stands da literatura nacional modernista também na promoção? Onde encontrar livros de escritores nordestinos como Graciliano Ramos, João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna e Rachel de Queiroz por preço de banana? Eles são ótimos, não?  Isso porque nem me atrevo a esperar por algum baiano perdido numa feira nacional.  Bem, de 16 a 25 de junho o feirão está fervilhando, mas precisamos urgentemente de investidores da literatura brasileira que vão além do romantismo. Já saímos do século XIX. Que mania só abraçarem os clássicos dos clássicos!

 

Não somos contra “Iracema,” “A Viuvinha”, “A Moreninha”, “Helena” “O Guarani” entre outros…  pelo contrário, já lemos e relemos, ótima ideia reeditarem as pencas desses livros e venderem por cinco reais, porém queremos livros mais críticos, entende? Chega de fantasia! Livros sem idealização de homem, mulher, sociedade.  E em busca desses livros enviamos um mensageiro do “Toque Poético” ( foto acima) para ir até o evento.  Que decepção!  Primeiro, andou a tarde toda a procura da literatura brasileira nos inúmeros stands …  e quando a encontrou…

Na promoção apenas os clássicos dos clássicos do século XIX! Os Livros nacionais na freira, além de raros, estão caros.  Por um precinho básico queria implementar a minha biblioteca pessoal, prioridade para a produção do  nordeste.  Nenhum exemplar a mais foi adquirido nesse feirão.  E a provocação do mensageiro  persistiu:

– Serve “O Pequeno Príncipe”?

– Não! Já li e reli duzentas vezes…

– Achei! Polyana… bom livro… Quer fazer a releitura? Apenas cinco reais.

Não teve jeito, na falta de livros nacionais, aceitei “ Revolução dos bichos” de George Orwll,  nada tenho a comentar,  estou no aguardo para conhecê-lo.  Pode parecer uma brincadeira, mas é muito sério.  O Brasil precisa se transformar  em um país de leitores nacionais, sem nenhum preconceito com o estrangeirismo, mas nós, brasileiros não conhecemos  a literatura do nosso país. E sabe por quê? Porque as editoras  preferem pagar os direitos autorais  para os estrangeiros do que investir na nossa literatura. Os livros estrangeiros são vendidos por dez reais, enquanto um livro de Jorge Amado mais barato é R$ 47, 90 ( Saraiva), Luís Fernando Veríssimo, 39,90(Saraiva) e por ai vai.  Cadê a promoção? Cadê os patrocínios para baratear os livros modernistas? Já cansamos das viuvinhas e iracemas.

O mensageiro que foi comprar livros de autores nordestinos na promoção, surpreso chega a conclusão “… não estou achando nem os nacionais… além de raros até em um evento de livros, não tem promoção para eles”. Talvez, com essa crônica o querido leitor poderá entender porque a luta é incansável.  Nós, brasileiros nordestinos somos totalmente invisíveis na literatura. Em nenhum momento pensava encontrar os autores que citei, porque esses eventos são comuns nas universidades percorridas, mas quis captar o olhar de outro para o problema já detectado há muito tempo.

No nordeste tem forró, axé, frevo, mas tem também literatura. O nordeste tem carnaval, mas tem literatura. O nordeste tem cultura e a literatura faz parte dessa cultura. Depois das festas de São João, São Pedro que tal relaxar um pouco?  Faça algo diferente, revolucionário, não precisa conversar com nenhuma raposa, apenas  pegue uma literatura de autor  nordestino e boa viagem.

Toque Poético

 

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